Introdução
Quando falamos em corrupção, nossa mente quase
sempre se volta para os escândalos políticos ou econômicos que estampam os
noticiários. Contudo, limitar esse mal apenas às esferas de poder é um
equívoco. A corrupção não é apenas um fenômeno externo, mas uma prática que
pode estar enraizada em atitudes cotidianas, muitas vezes banalizadas.
À luz da Doutrina Espírita, codificada por Allan
Kardec, a corrupção revela-se como um desvio moral, que fere a consciência e
retarda o progresso coletivo. A Revista Espírita, em suas páginas,
frequentemente abordou a responsabilidade individual diante dos vícios sociais,
demonstrando que o aperfeiçoamento da humanidade começa pela transformação
íntima de cada um de nós.
Corrupção
além da política
O termo corrupção, em sua essência, significa
deteriorar, estragar, adulterar. Não se restringe a propinas milionárias ou
fraudes em contratos públicos, mas inclui pequenos gestos que comprometem a
honestidade: adulterar valores em escrituras para pagar menos impostos, sonegar
notas fiscais, apresentar atestados falsos, desviar clientes da empresa em
benefício próprio ou mesmo aplaudir o filho que trapaceia em uma prova escolar.
Essas atitudes, ainda que pareçam de pequena monta,
criam uma cultura de conivência, um pacto silencioso em que todos fazem e
ninguém denuncia. No entanto, como ensina o Espiritismo, cada ato humano possui
consequências morais, e nada escapa à justiça divina.
O olhar
espírita sobre a corrupção
Kardec, em O Livro dos Espíritos (questões
785 e 918), explica que o progresso moral é a condição para o verdadeiro avanço
da humanidade, e que a sociedade se depura à medida que cada indivíduo vence
suas más inclinações. A corrupção, portanto, é a manifestação do egoísmo e do
interesse pessoal em detrimento do bem coletivo.
A Revista Espírita também mostra que o
exemplo tem um poder irresistível. Quando legitimamos pequenas desonestidades,
colaboramos para a manutenção de um estado social enfermo. Por outro lado,
quando adotamos condutas íntegras, mesmo em situações adversas, passamos a ser
agentes de transformação, influenciando outros pelo testemunho vivo.
A responsabilidade é ainda maior diante dos filhos
e jovens, que aprendem mais pela observação do que pelo discurso. Ensinar
honestidade com palavras e desonestidade com atos é uma contradição que mina
qualquer esforço educativo.
A
regeneração começa em nós
O Espiritismo ensina que o mundo de regeneração,
que tanto almejamos, não virá por decreto divino, mas pela soma das escolhas
retas de milhões de consciências em processo de evolução. Se desejamos uma
nação forte e um mundo mais justo, a reforma deve começar em cada um de nós, no
cotidiano simples e anônimo.
Como diz a sabedoria espírita: “Os exemplos arrastam”. Se não houver quem aceite a corrupção, ela
perderá sua força, porque sua existência depende da cumplicidade coletiva.
Conclusão
A corrupção é um mal que transcende governos,
instituições ou classes sociais: ela começa na consciência de cada indivíduo. À
luz do Espiritismo, compreendemos que somente a transformação moral, apoiada na
honestidade, na justiça e no dever, será capaz de estancar esse mal.
A luta contra a corrupção não se vence apenas nas
urnas ou nos tribunais, mas, sobretudo, na intimidade das nossas escolhas
diárias. Sejamos, pois, os primeiros a romper esse ciclo, lembrando que a
regeneração da sociedade passa pela regeneração do coração humano.
Referências
- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon
Ribeiro. FEB.
- KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução
de Guillon Ribeiro. FEB.
- KARDEC, Allan. Revista Espírita (1858-1869). Diversos
volumes.
- KARDEC, Allan. A Gênese. FEB.
- Momento Espírita. A grave problemática da corrupção.
Disponível em: https://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=5131&let=G&stat=0.
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