Introdução
O girassol é conhecido
por sua impressionante capacidade de orientar-se em direção ao sol, fenômeno
chamado heliotropismo. Desde a fase inicial de crescimento, a planta volta-se
instintivamente para a luz, como se soubesse que dela depende sua vitalidade.
Se colocada em ambiente fechado e escuro, rapidamente perde vigor e definha.
Essa imagem simples, mas
profundamente simbólica, oferece rica reflexão à luz da Doutrina Espírita
codificada por Allan Kardec. Assim como o vegetal necessita da luz solar, o
Espírito imortal necessita da Luz Divina — que se expressa na verdade, no amor,
na esperança e no conhecimento — para crescer e cumprir a lei de progresso.
A Lei
de Progresso e a Necessidade da Luz
Em O Livro dos
Espíritos, Kardec registra que o progresso é uma lei natural (questões 776
a 785). Nenhum ser está destinado à estagnação. O princípio inteligente evolui,
atravessa estágios, individualiza-se como Espírito consciente e avança por meio
das experiências reencarnatórias.
Tal como o girassol
busca o sol por necessidade vital, o Espírito busca — consciente ou
inconscientemente — a luz do conhecimento e da moralidade. Quando se afasta
dessa luz, mergulhando deliberadamente na ignorância, no egoísmo ou nos vícios,
experimenta o sofrimento decorrente do desalinhamento com as leis divinas.
A coleção da Revista Espírita demonstra, em diversos
relatos, que o sofrimento espiritual decorre frequentemente do apego às sombras
interiores: orgulho, ressentimento, materialismo excessivo e indiferença moral.
Não se trata de castigo, mas de consequência natural.
Corpo
e Espírito: Duas Dimensões da Mesma Lei
A ciência contemporânea
confirma a importância da luz solar para o organismo físico. Estudos atuais
associam a exposição equilibrada ao sol à síntese de vitamina D, à regulação do
ciclo circadiano e à saúde mental. A ausência prolongada de luz pode favorecer
quadros de tristeza profunda e desânimo.
Analogamente, o Espírito
necessita de “luz” em sentido moral. Em O Evangelho segundo o Espiritismo,
Kardec esclarece que a fé raciocinada e o cultivo das virtudes são fontes de
equilíbrio interior. A oração sincera, o estudo edificante e a prática do bem
funcionam como verdadeiros raios de sol para a alma.
Quando o indivíduo se
fecha na “redoma” da desesperança voluntária — isolando-se do convívio
saudável, recusando auxílio e cultivando pensamentos negativos — enfraquece-se
moralmente. A Doutrina Espírita ensina, porém, que ninguém está abandonado. Os
bons Espíritos inspiram, amparam e sugerem caminhos, respeitando sempre o
livre-arbítrio.
A
Redoma Escura: Escolha ou Condição?
É importante distinguir
entre a prova inevitável e o estado mental cultivado por escolha persistente.
Existem momentos de dor que fazem parte da experiência reencarnatória. Contudo,
permanecer indefinidamente na sombra por acomodação ou desânimo contraria a lei
de progresso.
Kardec explica que Deus
oferece a todos os meios de evolução: a família como núcleo de aprendizado
afetivo; os amigos como apoio moral; o trabalho como instrumento de
dignificação; as oportunidades de estudo como claridade intelectual.
Nada disso é imposto.
Assim como o girassol precisa romper a terra e erguer-se, o Espírito precisa
agir. A transformação íntima — mais profunda que simples reforma exterior —
exige esforço consciente, vigilância e perseverança.
Recursos
Disponíveis à Caminhada
A Doutrina Espírita
aponta diversos recursos acessíveis a todos:
- Oração sincera: não como fórmula
mecânica, mas como diálogo consciente com o Criador.
- Estudo sistematizado das obras básicas,
ampliando o entendimento das leis divinas.
- Prática do bem, que fortalece o
ânimo e amplia a sintonia com Espíritos superiores.
- Convívio fraterno, que impede o
isolamento moral.
- Trabalho útil, que disciplina e
valoriza a existência.
Em obras complementares
como A Caminho da Luz, pelo Espírito Emmanuel, ressalta-se que a humanidade
atravessa fases de transição moral, nas quais cada indivíduo é chamado a
escolher entre permanecer nas sombras do egoísmo ou avançar para a luz da
fraternidade.
Imitando
os Girassóis
Quando as dificuldades
se acumulam e pensamentos perturbadores obscurecem o horizonte da esperança, a
atitude recomendada pela Doutrina Espírita é ativa: buscar a luz.
Buscar a luz significa:
- Elevar
o pensamento.
- Procurar
auxílio.
- Reorganizar
hábitos.
- Cultivar
gratidão.
- Perseverar
na prática do bem.
A felicidade prometida
por Deus não é privilégio de poucos, mas resultado do crescimento moral de cada
Espírito. O plano divino não impõe redomas escuras; oferece horizontes
luminosos. Permanecer na sombra é opção transitória. Voltar-se para a luz é
decisão libertadora.
Assim como o girassol
acompanha o sol ao longo do dia, o Espírito que se orienta pela verdade e pelo
amor ajusta-se naturalmente às leis divinas e encontra serenidade mesmo em meio
às provas.
Conclusão
A imagem do girassol
sintetiza a lei espiritual do progresso: crescer é buscar a luz.
O corpo precisa do sol
material; o Espírito necessita da claridade moral. Quando nos abrimos à
influência do bem, do conhecimento e da fraternidade, fortalecemo-nos
interiormente. Quando nos isolamos nas sombras do pessimismo ou da inércia,
enfraquecemo-nos.
Imitar os girassóis é
escolher, todos os dias, orientar a consciência para a Luz Divina — não por
ingenuidade, mas por compreensão racional das leis que regem a vida.
Referências
- Allan
Kardec. O Livro dos Espíritos.
- Allan
Kardec. O Evangelho segundo o Espiritismo.
- Revista
Espírita (1858–1869).
- A
Caminho da Luz, pelo Espírito Emmanuel.
- Momento
Espírita. “Os girassóis”. Disponível em: https://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=7198&let=G&stat=0
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