Introdução
A observação atenta da
natureza sempre foi, para a Doutrina Espírita, um caminho legítimo de
aprendizado. Em O Livro dos Espíritos,
ao tratar da Lei Natural, ensina-se que as leis divinas estão inscritas na
consciência e podem ser compreendidas pela razão, pela reflexão e pela análise
dos fatos. A criação, em sua harmonia, não é obra do acaso, mas expressão de
inteligência soberana.
O texto que nos inspira
convida a perceber que, em cada detalhe da natureza, há algo que “oferece um
pouco mais”. Essa imagem poética encontra profundo amparo doutrinário: o
progresso é lei universal, e tudo coopera para o aperfeiçoamento e a beleza do
conjunto.
Partindo dessa ideia,
refletiremos sobre o ensinamento moral contido na observação do mundo natural,
à luz da codificação espírita e dos registros da Revista Espírita.
A
Natureza Como Expressão da Lei Divina
Ao contemplarmos um
jardim à distância, vemos apenas cores. Aproximando-nos, sentimos o perfume. A
queda d’água, vista de longe, é força; de perto, revela o arco-íris que se
forma na interação entre luz e gotículas suspensas no ar. A neve, que inspira
frio e silêncio, revela ao microscópio cristais de impressionante simetria. Um
tronco envelhecido, aparentemente inútil, abriga vida nova em seu interior.
A ciência contemporânea
confirma essa riqueza de detalhes. Estudos da física atmosférica explicam a
formação do arco-íris como fenômeno óptico de refração e dispersão da luz
solar. A cristalografia demonstra a complexidade geométrica dos flocos de neve.
A biologia revela que troncos em decomposição desempenham papel essencial na
renovação dos ecossistemas.
Nada está isolado. Tudo
coopera.
Essa interdependência
confirma o ensino espírita de que a criação é solidária. Em A Gênese, afirma-se que o Universo é
regido por leis imutáveis, expressão da sabedoria divina. A ordem observável na
natureza reflete uma inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.
Assim, quando a natureza
“oferece um pouco mais”, ela simplesmente cumpre a Lei de Progresso.
O
Homem e o “Pouco Mais” Moral
Se a natureza física
coopera instintivamente com o equilíbrio do mundo, o ser humano é chamado a
cooperar conscientemente.
Em O Evangelho segundo o Espiritismo, aprendemos que a verdadeira
adoração a Deus não se limita a fórmulas exteriores, mas se expressa pelo
cumprimento das leis morais: amor, justiça e caridade. Amar é agir.
O texto que nos inspira
adverte: quem nos observa de longe pode supor que vivemos apenas para
satisfazer necessidades imediatas. Entretanto, a Doutrina Espírita ensina que o
Espírito é imortal e reencarnante. Não estamos na Terra por acaso. Retornamos
ao corpo físico com objetivos de aprendizado e transformação.
Em O Livro dos Espíritos (questões 132 e seguintes), esclarece-se que
a encarnação tem por finalidade o aperfeiçoamento moral e intelectual do
Espírito. A vida corporal é instrumento educativo.
Oferecer “um pouco
mais”, nesse contexto, significa:
- Superar
o egoísmo, raiz dos males sociais.
- Trabalhar
com dedicação e honestidade.
- Aprender
continuamente, libertando-se da ignorância.
- Praticar
a caridade moral, que inclui indulgência e compreensão.
A própria Revista Espírita registra diversos
relatos em que Espíritos superiores enfatizam que o progresso verdadeiro é o
moral, pois dele depende a felicidade futura.
Atualidade
do Ensinamento
Vivemos tempos de
grandes avanços tecnológicos. A inteligência artificial, a exploração espacial,
os progressos da medicina e das comunicações demonstram a expansão da
inteligência humana. Contudo, paralelamente, enfrentamos crises ambientais,
conflitos ideológicos e desigualdades sociais.
Essa contradição
evidencia que o progresso intelectual não basta. A Lei de Progresso, conforme
ensinada pela Doutrina Espírita, é dupla: intelectual e moral. Quando há
desequilíbrio entre ambas, surgem as perturbações coletivas.
A natureza continua
oferecendo “um pouco mais”: renova-se, adapta-se, resiste. Mas o homem precisa
decidir conscientemente cooperar com a harmonia geral. A responsabilidade
ecológica, por exemplo, é aplicação prática da Lei de Conservação e da Lei de
Sociedade, igualmente estudadas em O
Livro dos Espíritos.
Amar a natureza é
reconhecer nela a obra divina. Amar o próximo é reconhecer nele um Espírito em
evolução, como nós.
O Anjo
em Potencial
A mensagem inspiradora
afirma que somos “anjos potencializados” em luta. A Doutrina Espírita confirma
essa ideia ao ensinar que todos os Espíritos foram criados simples e
ignorantes, destinados à perfeição. Não há privilégios nem condenações eternas;
há progresso contínuo.
Em O Céu e o Inferno, os testemunhos espirituais mostram que a
felicidade é consequência natural do bem praticado e do aperfeiçoamento
conquistado.
Assim, oferecer “um
pouco mais” não é heroísmo extraordinário. É simplesmente cooperar com a
finalidade da própria existência.
Conclusão
A natureza nos ensina,
silenciosamente, que tudo participa da harmonia universal. A flor oferece
perfume além da forma; a água oferece beleza além da força; o tronco
envelhecido oferece abrigo além da aparência.
O ser humano, Espírito
imortal em experiência terrena, é convidado a agir do mesmo modo. Não apenas
viver, mas viver com propósito. Não apenas existir, mas contribuir.
Deus espera que amemos —
não por imposição, mas porque o amor é a própria lei que sustenta o Universo.
Amar a natureza.
Amar a própria vida.
Amar o próximo.
E, em cada gesto,
oferecer sempre um pouco mais.
Referências
- O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.
- O Evangelho segundo o Espiritismo – Allan Kardec.
- A Gênese – Allan Kardec.
- O Céu e o Inferno – Allan Kardec.
- Revista Espírita – Periódico de estudos psicológicos dirigido por Allan Kardec.
- Momento Espírita. “Deus espera que ames.”
- Mensagem “Deus espera que ames”, pelo Espírito Rosângela, psicografia de Raul Teixeira (6.3.2006), Sociedade Espírita Fraternidade, Niterói.
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