Introdução
As guerras costumam chegar às nossas telas acompanhadas de imagens que
parecem pertencer a outro mundo: cidades destruídas, famílias separadas,
crianças assustadas, pessoas expulsas de seus lares e multidões procurando
segurança.
Entretanto, os conflitos armados não são acontecimentos distantes apenas
porque ocorrem além das nossas fronteiras. Eles constituem manifestações
coletivas de problemas que também podem aparecer, em escala menor, nas relações
humanas: orgulho, intolerância, egoísmo, ambição, ressentimento, desejo de
domínio e dificuldade de reconhecer no outro um semelhante.
Os dados contemporâneos dão à reflexão uma dimensão preocupante. O
Uppsala Conflict Data Program registrou 61 conflitos armados envolvendo pelo
menos um Estado em 2024, o maior número desde o início da série histórica, em
1946; 11 deles atingiram o nível de guerra. Em 2025, foram documentadas 37.163
mortes civis relacionadas a conflitos armados, número 23% inferior ao de 2024,
mas ainda extremamente elevado; uma em cada cinco dessas vítimas era criança.
No final de 2025, 117,8 milhões de pessoas permaneciam deslocadas à
força em razão de perseguição, conflitos, violência, violações dos direitos
humanos e outras situações graves. Ao mesmo tempo, os gastos militares mundiais
chegaram a aproximadamente US$ 2,887 trilhões, o décimo primeiro ano
consecutivo de crescimento.
Esses números pertencem ao campo da política, da economia, da história e
das relações internacionais. Mas também nos convidam a uma pergunta de natureza
moral:
O que existe no ser humano que ainda torna possível a guerra?
A Doutrina Espírita não pretende substituir as ciências que estudam os
conflitos. Sua contribuição está em investigar o ser humano, suas paixões, suas
escolhas, seu desenvolvimento moral e as leis que regem seu progresso.
É sob essa perspectiva que podemos perguntar não apenas como terminar
uma guerra, mas como a humanidade poderá alcançar condições morais em que a
guerra deixe de encontrar terreno para nascer.
PARTE I
— A GUERRA E O SER HUMANO
1. Mudam as armas, permanecem determinadas
paixões
A guerra não nasceu com os armamentos modernos.
Antes dos mísseis, dos drones e das armas de alta precisão, homens já
disputavam territórios, riquezas, poder e prestígio. A tecnologia modificou
extraordinariamente os meios de destruição, mas não eliminou, por si mesma, as
paixões que podem conduzir à violência.
Ao tratar da guerra, O Livro dos Espíritos relaciona sua origem à
predominância da natureza animal sobre a espiritual e ao transbordamento das
paixões. A questão não deve ser entendida como uma explicação simplista de
todos os conflitos históricos, pois uma guerra envolve também fatores econômicos,
territoriais, políticos, culturais e estratégicos.
Entretanto, há uma realidade que não pode ser esquecida: estruturas
humanas são construídas e conduzidas por seres humanos.
Instituições podem ser aperfeiçoadas. Leis podem ser modificadas.
Governos podem ser substituídos. Tratados podem ser celebrados. Mas nenhuma
estrutura exterior elimina definitivamente o orgulho, o egoísmo, a ambição ou o
ódio se essas disposições continuarem sendo alimentadas pelos indivíduos.
A transformação social, portanto, não dispensa a transformação moral.
Mas também não a substitui.
2. A pequena guerra
Talvez seja mais fácil compreender essa relação quando retiramos a
palavra "guerra" do cenário internacional.
Duas pessoas discordam.
Uma se sente ofendida.
A outra responde.
Uma antiga mágoa é lembrada.
O tom se eleva.
A necessidade de ter razão supera o desejo de compreender.
Em pouco tempo, uma diferença de opinião transforma-se em confronto.
Não existem soldados.
Não existem tanques.
Não existem bombas.
Mas existe a disposição interior de vencer o outro.
Isso não significa colocar no mesmo plano uma discussão familiar e uma
guerra entre Estados. Seria uma simplificação injustificável.
Significa apenas reconhecer que algumas disposições morais podem
aparecer em diferentes escalas.
O conflito internacional é infinitamente mais complexo. Contudo,
orgulho, intolerância, ressentimento e desejo de domínio não se tornam
moralmente diferentes apenas porque aparecem em estruturas maiores.
A paz coletiva começa também pela maneira como cada pessoa aprende a
administrar suas próprias paixões.
3. O orgulho pode vestir muitas roupas
O orgulho nem sempre se apresenta de maneira evidente.
Pode aparecer como indignação.
Pode esconder-se sob uma aparente firmeza.
Pode dizer:
— Estou apenas defendendo meus direitos.
E, muitas vezes, estaremos realmente defendendo um direito legítimo.
A questão está na maneira de fazê-lo.
Podemos defender a justiça sem odiar.
Podemos discordar sem humilhar.
Podemos estabelecer limites sem desejar o sofrimento do adversário.
Podemos combater uma ideia sem transformar aquele que a sustenta em
inimigo pessoal.
A divergência não é necessariamente uma ameaça.
Uma sociedade pacífica não é aquela em que todos pensam da mesma
maneira. É aquela que desenvolveu recursos morais e institucionais para
administrar suas diferenças sem transformar a divergência em violência.
4. Quando o outro deixa de ser semelhante
O egoísmo adquire proporções ainda mais perigosas quando ultrapassa o
indivíduo e passa a orientar grupos e instituições.
O indivíduo egoísta pergunta:
"O que eu ganho?"
O grupo dominado pelo egoísmo pergunta:
"O que nós ganhamos?"
E, quando o interesse passa a valer mais que a dignidade do semelhante,
o outro pode deixar de ser considerado pessoa para transformar-se em obstáculo.
A linguagem costuma revelar essa mudança.
O outro passa a ser apenas "ameaça", "inimigo",
"problema" ou "obstáculo".
Quando a pessoa desaparece atrás do rótulo, torna-se mais fácil
justificar aquilo que, diante de um semelhante, talvez fosse moralmente
insuportável.
A Doutrina Espírita coloca a fraternidade, a justiça e a caridade como
referências da lei moral justamente porque o progresso exige uma ampliação do
reconhecimento do outro.
O semelhante não deixa de ser semelhante porque nasceu do outro lado de
uma fronteira.
Não deixa de ser semelhante porque possui outra cultura.
Não deixa de ser semelhante porque pensa de modo diferente.
E, na compreensão espírita, é ainda mais significativo reconhecer nele
um Espírito em processo de evolução, como nós.
5. Progresso intelectual não é progresso moral
A humanidade alcançou extraordinário desenvolvimento intelectual.
Observamos galáxias distantes, produzimos medicamentos sofisticados,
comunicamo-nos instantaneamente entre continentes e utilizamos tecnologias
capazes de executar tarefas que, há poucas décadas, pareciam impossíveis.
Mas esse progresso não significa, automaticamente, progresso moral.
A inteligência oferece meios.
O progresso moral orienta sua utilização.
Uma sociedade pode conhecer profundamente as leis da natureza e, ainda
assim, utilizar seu conhecimento para destruir.
Pode desenvolver sofisticados sistemas de comunicação e utilizá-los para
espalhar ódio.
Pode produzir abundância material e conservar profundas desigualdades.
Pode possuir armas capazes de destruir cidades inteiras e continuar
incapaz de resolver pacificamente determinadas divergências.
O problema, portanto, não está apenas naquilo que sabemos fazer.
Está também na finalidade para a qual utilizamos aquilo que sabemos
fazer.
6. A responsabilidade não é igual para todos
Há ainda uma questão essencial.
Ao tratar da guerra, O Livro dos Espíritos não estabelece uma
responsabilidade indistinta entre todos os envolvidos. A questão 745 destaca
particularmente aquele que provoca a guerra para satisfazer sua ambição.
Isso impede uma conclusão superficial segundo a qual todos seriam
igualmente responsáveis simplesmente porque pertencem à humanidade.
A responsabilidade moral está relacionada às intenções, às escolhas e à
participação de cada um.
Aquele que deliberadamente provoca sofrimento para satisfazer interesses
pessoais não pode ser colocado no mesmo plano daquele que, sem alternativa
real, procura defender a própria vida ou a de outros.
Esse princípio é importante também para a compreensão dos acontecimentos
coletivos.
Não devemos confundir responsabilidade com culpabilização
indiscriminada.
A Doutrina Espírita não elimina a responsabilidade individual porque
alguém pertence a determinado povo, grupo ou instituição.
Ao contrário, recorda que cada Espírito responde pelo uso que faz de sua
liberdade.
PARTE II
— A CONSTRUÇÃO DA PAZ
7. A guerra poderá desaparecer?
A questão 743 de O Livro dos Espíritos apresenta uma perspectiva
particularmente significativa: a guerra desaparecerá quando os homens
compreenderem a justiça e praticarem a lei de Deus; então, os povos serão
irmãos.
Não há nessa resposta uma data.
Não há previsão cronológica.
Há uma condição moral.
Isso modifica profundamente a pergunta.
Em vez de indagar somente:
"Quando acabarão as guerras?"
podemos perguntar:
"Que transformações precisam ocorrer para que suas causas
desapareçam?"
A resposta não depende exclusivamente da diplomacia, nem exclusivamente
da política, nem exclusivamente da religião.
Depende do desenvolvimento humano.
Enquanto a ambição, o egoísmo, a intolerância e o desejo de dominação
encontrarem espaço significativo nas relações humanas, os instrumentos do
conflito poderão mudar, mas a disposição para o confronto permanecerá.
8. Paz não significa passividade
A paz não deve ser confundida com submissão.
Ser pacífico não significa aceitar injustiças.
Não significa abandonar quem precisa de proteção.
Não significa permitir agressões para evitar qualquer confronto.
Jesus ensinou:
"Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de
Deus."
(Mateus, 5:9.)
A palavra "pacificadores" merece atenção.
O pacificador não é simplesmente aquele que permanece afastado do
conflito.
É aquele que trabalha para superá-lo.
Procura compreender.
Procura aproximar.
Procura dialogar.
Procura estabelecer justiça sem alimentar o ódio.
Por isso, a paz exige coragem.
Há ocasiões em que é muito mais fácil atacar do que compreender,
vingar-se do que perdoar e responder imediatamente do que dominar a própria
reação.
9. Domínio de si: o primeiro desarmamento
Imagine uma discussão:
— Você me ofendeu!
— E você me ofendeu primeiro!
— Então estamos quites.
Mas não estamos.
A revanche mantém o conflito porque cada resposta oferece novo motivo
para outra resposta.
A paz começa quando alguém interrompe o ciclo.
Não necessariamente porque deixou de sentir indignação, mas porque
decidiu não entregar à indignação o governo de sua conduta.
Isso é domínio de si.
A transformação moral não consiste em deixar de experimentar sentimentos
humanos. Consiste em aprender gradualmente a conduzi-los.
Podemos sentir raiva sem cometer uma injustiça.
Podemos sentir mágoa sem transformá-la em vingança.
Podemos discordar sem odiar.
Podemos reconhecer uma ofensa sem nos tornar ofensores.
É um trabalho difícil.
Mas é precisamente por ser difícil que possui valor moral.
10. Perdoar não significa abolir a justiça
Perdão também não deve ser confundido com aprovação do erro.
Perdoar não significa declarar que o mal praticado foi correto.
Não significa abandonar a proteção necessária.
Não significa impedir que a responsabilidade seja reconhecida pelas leis
humanas.
Significa não permitir que o mal recebido determine aquilo que
ofereceremos em seguida.
É possível buscar justiça sem alimentar vingança.
É possível proteger-se sem desejar destruição.
É possível reconhecer a gravidade de uma falta sem conservar
indefinidamente o ressentimento.
A justiça corrige.
O ódio destrói.
Confundir os dois é perpetuar o conflito sob outra aparência.
11. A paz também se aprende
Se determinados comportamentos violentos podem ser aprendidos,
comportamentos pacíficos também podem ser desenvolvidos.
A criança observa.
Imita.
Interioriza.
Uma criança que presencia constantemente gritos pode aprender que gritar
é uma maneira legítima de resolver divergências.
Outra que observa adultos capazes de reconhecer erros, pedir desculpas e
reparar danos aprende uma linguagem diferente.
A educação moral começa muito antes dos discursos.
Ela começa pelo exemplo.
A família tem papel essencial.
A escola também.
As comunidades e instituições igualmente.
E os meios de comunicação e as redes sociais possuem hoje uma
responsabilidade que não pode ser ignorada.
Uma mensagem que humilha, desumaniza ou estimula o ódio pode alcançar
milhares de pessoas em poucos minutos.
A tecnologia amplia o alcance daquilo que colocamos em circulação.
Por isso, o progresso intelectual precisa ser acompanhado de
responsabilidade moral.
12. A paz exige também justiça
Não seria correto transformar toda questão de guerra em problema
exclusivamente interior.
As condições materiais também importam.
O Banco Mundial mostra que conflitos e instabilidade atingem severamente
o desenvolvimento econômico, aumentam a pobreza extrema e intensificam a fome.
Nas 39 economias analisadas em sua avaliação de 2025, a pobreza extrema avançou
mais rapidamente do que em outras economias em desenvolvimento.
Portanto, construir a paz também significa enfrentar desigualdades,
fortalecer instituições, proteger direitos, promover educação e criar condições
para que as populações possam desenvolver-se.
A transformação moral não dispensa a transformação social.
E a transformação social, por sua vez, dificilmente se sustenta sem
transformação moral.
Uma completa a outra.
13. O paradoxo das armas
Os gastos militares mundiais alcançaram US$ 2,887 trilhões em 2025,
segundo o SIPRI, no décimo primeiro ano consecutivo de crescimento.
Esse dado não precisa ser transformado em argumento simplista contra
toda forma de defesa.
Os Estados possuem responsabilidades de segurança, e a realidade
internacional ainda contém ameaças concretas.
A questão é mais profunda: quanto mais recursos a humanidade emprega
na preparação para a guerra, mais urgente se torna desenvolver meios capazes de
preveni-la.
Armas podem exercer função de dissuasão.
Mas não produzem, por si mesmas, confiança.
Não educam.
Não reconciliam.
Não corrigem injustiças.
Não eliminam preconceitos.
Não ensinam fraternidade.
A segurança duradoura precisa também de instituições confiáveis,
diplomacia, justiça, cooperação e educação.
A paz necessita de instrumentos políticos, mas precisa igualmente de uma
cultura moral que torne a violência progressivamente menos aceitável.
14. Progresso e transformação da humanidade
A Doutrina Espírita apresenta o progresso como lei natural da
humanidade.
Esse progresso não é instantâneo.
É gradual.
O desenvolvimento intelectual pode anteceder o desenvolvimento moral,
criando justamente o paradoxo de uma humanidade capaz de grandes realizações e,
simultaneamente, ainda dominada por paixões antigas.
Por isso, uma transformação coletiva verdadeira não pode depender apenas
de uma mudança exterior.
Não basta desejar uma sociedade melhor.
É preciso desenvolver seres humanos capazes de viver nela.
Não basta imaginar um futuro sem guerras.
É necessário cultivar hoje os valores que tornarão a guerra cada vez
menos necessária: justiça, fraternidade, solidariedade, respeito,
tolerância, responsabilidade e caridade.
Não como palavras ornamentais.
Como comportamentos.
15. Onde começa a paz?
Talvez alguém pergunte:
— O que posso fazer diante de uma guerra que acontece do outro lado do
mundo?
A pergunta é legítima.
Mas existe outra:
— O que posso fazer diante dos conflitos que estão ao meu alcance?
Posso ouvir antes de julgar.
Posso reconhecer um erro.
Posso pedir desculpas.
Posso interromper uma fofoca.
Posso não compartilhar uma mensagem destinada a provocar ódio.
Posso discordar sem humilhar.
Posso ensinar uma criança pelo exemplo.
Posso procurar compreender alguém antes de condená-lo.
Posso escolher não transformar uma diferença em inimizade.
Essas atitudes parecem pequenas diante dos grandes conflitos
internacionais.
Mas nenhuma sociedade pacífica é construída apenas pelos grandes
tratados.
Ela também é construída pela soma de milhões de comportamentos
cotidianos.
16. O desarmamento do coração
Talvez a imagem do desarmamento possa ser ampliada.
Existe o desarmamento dos exércitos.
Existe também o desarmamento das consciências.
Algumas pessoas carregam durante décadas armas invisíveis:
a ofensa que não perdoaram;
a necessidade de ter sempre razão;
a suspeita permanente;
o ressentimento;
a incapacidade de reconhecer o mérito alheio;
a lembrança de uma injustiça transformada em identidade.
Essas armas não produzem explosões.
Mas ferem.
E algumas são transmitidas de geração em geração.
Desarmar-se moralmente não significa tornar-se ingênuo.
Significa não permitir que a violência recebida determine a violência
que ofereceremos.
É interromper a cadeia.
É poder dizer:
"Isso termina em mim."
CONCLUSÃO —
ANTES QUE A GUERRA DESAPAREÇA DO MUNDO
A humanidade ainda convive com guerras, deslocamentos forçados,
violência e enormes investimentos em instrumentos militares.
Os dados contemporâneos não permitem romantizar essa realidade.
Mas também não autorizam concluir que nada esteja mudando. Em 2025, por
exemplo, o número documentado de mortes civis em conflitos diminuiu em relação
a 2024, embora tenha permanecido em nível extremamente elevado. A história
humana não é uma linha de progresso automático, mas tampouco é uma sucessão
inevitável de fracassos.
A Doutrina Espírita oferece uma perspectiva especialmente significativa:
a guerra não é apresentada como destino definitivo da humanidade.
Seu desaparecimento está relacionado ao desenvolvimento da justiça e da
fraternidade.
Isso significa que a paz não deve ser esperada apenas como acontecimento
exterior.
Ela precisa ser construída.
Não basta perguntar quem começou determinada guerra.
É necessário perguntar quais valores tornaram possível que ela
começasse.
Não basta perguntar como encerrar determinado conflito.
É preciso procurar compreender como evitar que outro surja.
Não basta desejar governantes pacíficos.
Precisamos aprender a ser pacificadores.
Talvez a paz mundial pareça uma tarefa grande demais para cada
indivíduo.
Isoladamente, realmente é.
Mas a história humana também é construída por milhões de decisões.
A guerra cresce quando o outro deixa de ser reconhecido como semelhante.
A paz começa quando voltamos a enxergá-lo como irmão.
A guerra alimenta-se do orgulho que afirma:
"Eu preciso vencer."
A consciência moral pergunta:
"Como podemos avançar sem destruir uns aos outros?"
Talvez não sejamos capazes de impedir imediatamente todos os conflitos
do planeta.
Mas podemos impedir alguns conflitos ao nosso redor.
Podemos evitar algumas palavras.
Podemos interromper algumas agressões.
Podemos reparar alguns erros.
Podemos educar algumas crianças.
Podemos modificar algumas atitudes.
E talvez seja exatamente assim que uma grande transformação comece.
Antes que a guerra desapareça dos campos de batalha, precisa perder
espaço nas consciências.
Antes que as armas sejam abandonadas, é necessário que deixem de ser
desejadas como instrumentos de dominação.
Antes que os povos se reconheçam como irmãos, cada criatura precisa
aprender a reconhecer humanidade naquele que pensa, vive ou acredita de maneira
diferente.
A paz, portanto, não é apenas um sonho reservado ao futuro.
É uma tarefa do presente.
E talvez a primeira pergunta não seja:
"Quando o mundo aprenderá a viver em paz?"
Mas:
"O que, dentro de mim, ainda precisa aprender a viver em paz?"
Pensemos nisso.
Referências
1. Obras Fundamentais da Codificação Espírita
- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Parte Terceira — Das Leis Morais, especialmente Capítulo VI — Lei de Destruição, questões 742 a 745; e Capítulo XI — Lei de Justiça, de Amor e de Caridade.
- KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Capítulo IX — Bem-aventurados os que são brandos e pacíficos; Capítulo XI — Amar o próximo como a si mesmo; Capítulo XV — Fora da caridade não há salvação.
- KARDEC, Allan. A Gênese — Os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo. Capítulo XVIII — São chegados os tempos.
2. Obras Complementares de Allan Kardec
- KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Questões relacionadas às leis morais e ao progresso da humanidade.
- KARDEC, Allan. Revista Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos. Coleção de 1858 a 1869, especialmente os estudos relacionados ao progresso moral, à fraternidade, à caridade e ao desenvolvimento da humanidade.
3. Obras Subsidiárias
- TEIXEIRA, Raul. Quem é o Cristo? Pelo Espírito Francisco de Paula Vítor. Editora Fráter.
4. Passagens bíblicas
- Mateus, 5:9 — “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.”
- Mateus, 5:44 — Ensino de Jesus sobre o amor aos inimigos e a oração pelos que nos perseguem.
- Lucas, 6:31 — Regra de tratamento ao próximo.
5. Fontes Externas
- UPPSALA UNIVERSITY — Uppsala Conflict Data Program (UCDP). Dados sobre conflitos armados e guerras registrados em 2024.
- UNITED NATIONS — Department of Economic and Social Affairs. Sustainable Development Goals Report 2026 — Goal 16. Dados sobre mortes civis relacionadas a conflitos em 2025.
- UNHCR — United Nations High Commissioner for Refugees. Global Trends 2025. Dados sobre deslocamento forçado ao final de 2025.
- STOCKHOLM INTERNATIONAL PEACE RESEARCH INSTITUTE — SIPRI. Trends in World Military Expenditure 2025. Dados sobre os gastos militares mundiais em 2025.
- WORLD BANK. Extreme Poverty is Rising Fast in Economies Hit by Conflict, Instability. Dados sobre os efeitos dos conflitos e da instabilidade sobre pobreza e desenvolvimento.
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