Introdução
A morte
de alguém que amamos produz uma das experiências mais difíceis da existência
humana.
Por
alguns instantes, ou por muitos anos, a realidade parece perder sua organização
habitual. A casa continua no mesmo lugar, os objetos permanecem sobre os
móveis, os compromissos da vida prosseguem, mas uma presença que fazia parte de
nossa rotina deixa de estar ao alcance dos sentidos.
É nesse
intervalo entre a presença e a ausência que nasce a saudade.
Ela pode
ser terna, agradecida e até consoladora, mas também pode assumir formas
dolorosas. O luto pode provocar sofrimento psicológico significativo e, em
determinadas circunstâncias, exigir apoio familiar, social ou profissional.
Cuidar da pessoa que sofre não significa negar sua espiritualidade, assim como
a fé não deve ser utilizada para negar a necessidade de cuidados psicológicos
quando eles se tornam necessários.
A
questão, portanto, não é simplesmente aprender a “não sofrer”.
O
sofrimento diante da perda de alguém querido é humano.
A questão
é outra: como transformar a saudade em uma expressão de amor, sem permitir
que o apego desesperado domine a vida de quem ficou?
A
Doutrina Espírita oferece elementos para essa reflexão ao considerar a morte
não como o desaparecimento do ser, mas como uma mudança na condição de
existência do Espírito.
Essa
concepção não deve ser apresentada como uma conclusão já estabelecida pelas
ciências materiais. No campo espírita, a imortalidade da alma constitui um
princípio fundamental da Doutrina, relacionado ao estudo dos fenômenos
espirituais, às comunicações examinadas e às consequências filosóficas e morais
decorrentes desse conjunto de ensinamentos.
Essa
distinção é importante.
A
Doutrina Espírita não recomenda aceitar qualquer manifestação espiritual como
verdade absoluta. Ao contrário, o estudo espírita exige observação, comparação,
análise e prudência.
É a
partir dessa perspectiva que podemos reconsiderar a maneira como enfrentamos a
partida de alguém que amamos.
PARTE I
A MORTE NÃO APAGA A PESSOA
1. Quando a presença se transforma em ausência
Quando
alguém morre, uma pergunta costuma surgir quase imediatamente:
— Para
onde ele foi?
Outra,
porém, geralmente vem acompanhada de maior sofrimento:
— E
agora, como vou viver sem ele?
As duas
perguntas revelam necessidades diferentes.
A
primeira procura compreender o destino daquele que partiu.
A segunda
expressa a dificuldade de reorganizar a própria vida.
Talvez
seja justamente aí que a dor precise ser educada.
O Livro
dos Espíritos
apresenta a imortalidade da alma como um dos princípios fundamentais da
Doutrina Espírita. Nas questões 149 a 165, examina a passagem da vida corporal
para a vida espiritual, a individualidade do Espírito e o período de
perturbação que pode acompanhar a desencarnação.
A morte
do corpo, portanto, não representa a destruição do ser.
O corpo
deixa de funcionar, mas o Espírito permanece.
Essa
concepção modifica profundamente a maneira de compreender a separação.
Se o ser
não é destruído pela morte do corpo, então a despedida física não precisa
significar uma despedida absoluta.
Mas isso
não significa que devamos negar a realidade da dor.
Jesus
chorou diante da morte de Lázaro. O Evangelho segundo João registra que, diante
daquela experiência, o Mestre se comoveu profundamente.
A
passagem é significativa justamente porque mostra que a esperança na vida
futura não exige insensibilidade diante da morte.
A
esperança não elimina a lágrima.
Ela pode,
entretanto, impedir que a lágrima se transforme em desespero.
2. O que acontece com quem parte?
É comum
encontrarmos, em obras espíritas posteriores à Codificação, descrições de
amparo espiritual, acolhimento, orientação e auxílio aos recém-desencarnados.
Essas
narrativas podem possuir valor moral e constituir material de estudo, mas
precisam ser distinguidas dos princípios gerais estabelecidos pela Codificação.
Não seria
metodologicamente correto afirmar que todo desencarnado será necessariamente
recebido por determinada organização espiritual ou submetido às mesmas
experiências, como se isso fosse uma informação universalmente estabelecida
pela Doutrina Espírita.
O
princípio mais amplo é outro: a vida espiritual continua, e a condição do
Espírito guarda relação com seu estado moral, seus conhecimentos, seus
sentimentos e suas realizações.
O Céu e o
Inferno
desenvolve essa perspectiva ao apresentar diferentes situações espirituais e
mostrar que a condição do Espírito após a morte não é uniforme.
Há
Espíritos em diferentes graus de compreensão, liberdade, desenvolvimento e
sofrimento.
A morte,
portanto, não produz automaticamente a felicidade nem automaticamente o
sofrimento.
A
desencarnação muda a condição do ser, mas não transforma, por si mesma, sua
natureza moral.
Essa
conclusão possui uma consequência importante para quem permanece.
Não
precisamos imaginar que nosso ente querido se tornou imediatamente um Espírito
perfeito apenas porque desencarnou.
Tampouco
precisamos imaginá-lo abandonado.
A lei de
progresso continua.
O amor
divino não termina com a morte.
3. A dor de quem fica
— Eu
queria tanto que ele estivesse aqui...
A frase
parece simples, mas contém todo o drama do luto.
— Eu
daria qualquer coisa para conversar novamente com ele.
É
natural.
Perdemos
uma presença física, uma voz, um olhar, uma rotina, pequenos hábitos que
pareciam fazer parte da própria organização da vida.
Por isso,
a pessoa enlutada não precisa ouvir:
“Não
chore. Ele está bem.”
Talvez
precise ouvir:
“Chore,
se precisar. Mas não perca a esperança.”
A
diferença é enorme.
A dor não
precisa ser combatida como se fosse uma fraqueza moral.
O
sofrimento faz parte da experiência humana diante de uma perda significativa.
O cuidado
começa quando conseguimos acolher essa dor sem permitir que ela determine
indefinidamente toda a existência.
A Revista
Espírita publicou, em 1860, uma reflexão intitulada “A tristeza e o
pesar”, distinguindo o pesar legítimo da tristeza que pode enfraquecer o
indivíduo quando cultivada de modo excessivo.
A ideia
merece ser compreendida com cuidado.
Sofrer
por alguém que amamos não é falta de fé nem necessariamente egoísmo.
Entretanto,
permanecer indefinidamente prisioneiro da dor pode dificultar tanto a própria
recuperação quanto a continuidade das responsabilidades que a vida ainda nos
apresenta.
A
espiritualidade não dispensa a psicologia.
A oração
não substitui o acompanhamento profissional quando existe sofrimento psíquico
grave.
A
esperança não deve ser utilizada para negar uma necessidade de cuidado.
Enquanto
encarnado, o ser humano possui necessidades emocionais, psicológicas e
corporais que também merecem atenção.
Cuidar da
pessoa enlutada é, portanto, uma expressão de fraternidade.
PARTE II
QUANDO AMAR SIGNIFICA DESEJAR O
BEM
4. Daquilo que perdemos àquele que partiu
Existe
uma transformação silenciosa que pode acontecer depois dos primeiros tempos do
luto.
No
início, pensamos sobretudo naquilo que perdemos.
Depois,
lentamente, podemos começar a pensar naquele que partiu.
Essa
mudança é profunda.
— Meu
Deus, eu sinto tanta falta dele...
— E o que
você deseja para ele?
A
pergunta pode parecer estranha.
— Que ele
esteja bem.
— Então
pense nisso.
— Mesmo
sentindo tanta falta?
—
Principalmente por isso.
Amar
alguém não significa desejar que essa pessoa permaneça eternamente ao nosso
lado.
Amar
significa desejar o bem dessa pessoa, ainda que o caminho dela tenha tomado uma
direção diferente da nossa.
Essa
compreensão está de acordo com o princípio moral ensinado e exemplificado por
Jesus: o amor verdadeiro procura o bem do outro.
Por isso,
diante da morte, podemos gradualmente substituir algumas expressões.
Em lugar
de:
“Por que
você me deixou?”
podemos
aprender a dizer:
“Que você
esteja em paz.”
Em lugar
de:
“Eu não
sei viver sem você.”
podemos
procurar:
“Vou
aprender a continuar vivendo honrando o amor que tivemos.”
Em lugar
de:
“Volte
para mim!”
podemos,
com o tempo, alcançar:
“Siga seu
caminho com serenidade.”
Não se
trata de esconder a saudade.
Trata-se
de dar a ela uma direção.
5. A prece como gesto de amor
A
Doutrina Espírita atribui à prece um valor moral e espiritual que ultrapassa o
simples pedido de favores.
Quando
oramos por alguém que desencarnou, não precisamos imaginar que conhecemos todas
as circunstâncias em que esse Espírito se encontra.
Podemos
simplesmente desejar-lhe o bem e confiar em Deus.
Ao orar:
“Que Deus
o ampare”,
também
aprendemos a confiar.
Ao dizer:
“Que
encontre forças para prosseguir”,
aprendemos
a desejar o bem.
Ao
agradecer:
“Obrigado
pela oportunidade de ter convivido com ele”,
começamos
a substituir a revolta pela gratidão.
Ao pedir:
“Ajude-me
a suportar a saudade”,
reconhecemos
que também precisamos de auxílio.
A prece,
assim compreendida, não é fuga da realidade.
É uma
maneira de enfrentá-la com mais serenidade.
E talvez
exista uma consequência ainda mais profunda.
Quando
oramos pelo bem daquele que partiu, deixamos gradualmente de concentrar todo o
pensamento naquilo que perdemos e começamos a direcioná-lo para aquilo que
desejamos ao outro.
A saudade
começa, então, a aprender a amar.
6. E as comunicações dos Espíritos?
As
comunicações mediúnicas envolvendo pessoas desencarnadas constituem parte
importante da história do Espiritismo.
Há
relatos de mensagens destinadas a consolar famílias diante da perda e de
experiências que levaram pessoas a refletir sobre a possibilidade da
sobrevivência do Espírito.
Esses
relatos podem ser emocionalmente significativos e também podem constituir
material de estudo.
Entretanto,
é necessário preservar uma distinção fundamental: uma comunicação particular
não equivale, por si mesma, a um princípio universal da Doutrina Espírita.
Uma
mensagem psicografada não deve ser tomada isoladamente como prova absoluta de
autenticidade.
O método
que orientou a organização da Doutrina exige exame, comparação e prudência
diante das comunicações espirituais.
Uma carta
atribuída a determinado desencarnado pode ser estudada como fenômeno mediúnico,
como experiência pessoal ou como documento de interesse moral.
Mas não
deve substituir o discernimento.
Essa
cautela não diminui o possível valor humano dessas mensagens.
Ao
contrário, preserva a seriedade do estudo.
O
importante não é transformar uma comunicação particular em dogma.
É
compreender aquilo que o conjunto dos princípios permite afirmar com segurança:
a possibilidade da sobrevivência do Espírito e a continuidade da vida
espiritual.
PARTE III
O VÍNCULO NÃO PRECISA SER
SOFRIMENTO
7. Lembrar sem permanecer preso à lembrança
Existe
uma diferença entre lembrar e permanecer preso à lembrança.
Podemos
conservar fotografias sem viver no passado.
Podemos
visitar um túmulo sem transformar o cemitério em nossa morada emocional.
Podemos
falar daquele que partiu sem passar o restante da existência perguntando por
que ele foi embora.
Podemos
sentir saudade e, ao mesmo tempo, sorrir.
A saudade
não precisa desaparecer para que a vida continue.
Ela pode
mudar de natureza.
No
começo, pode ser principalmente ausência.
Depois,
pode transformar-se em lembrança.
Mais
tarde, em gratidão.
E,
finalmente, pode tornar-se uma forma serena de amor.
Talvez um
dos melhores tributos que possamos oferecer aos que amamos seja continuar
vivendo dignamente.
Se o pai
partiu, cuidar dos filhos pode ser uma homenagem.
Se a mãe
partiu, preservar seus bons ensinamentos pode ser uma homenagem.
Se um
amigo partiu, continuar praticando o bem que aprendemos com ele pode ser uma
homenagem.
Se alguém
nos ensinou a amar, continuar amando talvez seja uma das melhores maneiras de
dizer:
“Você não
passou pela minha vida em vão.”
8. A vida continua para quem permanece
Existe
outro aspecto que não deve ser esquecido.
Quando
alguém morre, quem ficou também precisa continuar vivendo.
Há
responsabilidades.
Há
pessoas que dependem de nós.
Há
tarefas que precisam ser realizadas.
Há
oportunidades que continuam surgindo.
E há
também a própria necessidade de crescimento.
Continuar
vivendo não significa esquecer.
Não
significa diminuir o amor.
Não
significa abandonar aquele que partiu.
Significa
reconhecer que a existência corporal continua tendo finalidade.
A
Doutrina Espírita apresenta a vida corporal como uma etapa da experiência do
Espírito.
Por isso,
abandonar completamente a própria vida em razão da perda seria transformar a
saudade em impedimento ao próprio progresso.
O melhor
modo de honrar aqueles que amamos pode ser justamente viver melhor aquilo
que ainda temos para viver.
9. A morte diante da perspectiva espírita
A
Doutrina Espírita não considera a morte um acontecimento sem consequências.
Ela
representa o encerramento da experiência corporal presente e o retorno do
Espírito à vida espiritual.
Mas esse
retorno não significa que tudo esteja concluído.
O
Espírito continua sua trajetória.
A
existência corporal é uma etapa.
A vida
espiritual é outra.
E o
progresso continua.
Essa
visão também ajuda a compreender por que a saudade pode ser educada pela
esperança.
Não
precisamos transformar a morte em uma vitória sobre a vida, nem a vida em uma
derrota diante da morte.
Ambas
fazem parte de uma realidade mais ampla.
O corpo
nasce, cresce, envelhece e morre.
O
Espírito, segundo os princípios espíritas, permanece.
Essa
concepção não diminui o respeito pela vida corporal.
Pelo
contrário.
Dá maior
responsabilidade à existência presente, pois aquilo que fazemos, pensamos e
sentimos participa de nosso desenvolvimento moral.
É por
isso que o melhor modo de honrar os mortos talvez seja viver melhor.
Não
apenas sofrer por eles.
Não
apenas falar sobre eles.
Mas
continuar aquilo que havia de bom na relação que tivemos.
PARTE IV
QUANDO A SAUDADE APRENDE A AMAR
10. A transformação não acontece de uma só vez
Não
existe um prazo universal para o luto.
Cada
pessoa possui sua história, seus vínculos, sua maneira de sentir e suas
circunstâncias.
Por isso,
não devemos transformar a esperança em cobrança.
Não é
correto dizer a alguém:
“Você já
deveria ter superado.”
Nem:
“Se você
tivesse fé, não sofreria tanto.”
A
Doutrina Espírita não nos autoriza a substituir a compreensão pela cobrança.
A
transformação moral é gradual.
O próprio
progresso espiritual é gradual.
Assim
também pode acontecer com a maneira como lidamos com a saudade.
Um dia
conseguimos recordar sem chorar.
Em outro,
a lembrança volta acompanhada de tristeza.
Depois,
talvez consigamos sorrir diante de uma fotografia.
Não há
necessariamente contradição nisso.
O amor
não desaparece porque a dor diminui.
Ao
contrário.
Talvez a
diminuição da dor permita que o amor apareça com maior pureza.
CONCLUSÃO
Talvez um
dia, depois de muito tempo, alguém consiga olhar para uma fotografia e dizer:
— Ainda
sinto sua falta.
E, logo
depois:
— Mas já
não sinto apenas dor.
Nesse
instante, alguma coisa terá mudado.
A saudade
continuará existindo, mas terá deixado de ser uma ferida aberta.
Será
memória.
Será
gratidão.
Será
ternura.
Será
amor.
A morte
física continuará sendo uma das grandes experiências que desafiam a compreensão
humana.
A ciência
material investiga os processos biológicos da morte.
A
psicologia procura compreender o luto e suas manifestações.
A
filosofia questiona o sentido da existência.
E a
Doutrina Espírita acrescenta a essas reflexões a concepção da imortalidade do
Espírito, fundamentada em seus princípios e no estudo dos fenômenos espirituais
que constituem uma de suas bases.
Essas
diferentes perspectivas não precisam ser colocadas em oposição.
A pessoa
que sofre deve ser acolhida, não doutrinada.
Deve ser
ouvida, não pressionada.
Deve
receber solidariedade, não respostas prontas.
E, quando
a dor permitir, talvez possa descobrir que continuar vivendo não é abandonar
aquele que partiu.
É
permitir que o amor encontre outra forma de existir.
Se a
morte não destrói o Espírito, então a separação corporal é uma mudança de
circunstância, não necessariamente o fim do vínculo afetivo.
E, se o
amor é um sentimento que busca o bem, talvez possamos aprender uma das mais
difíceis lições da existência: amar também é saber deixar seguir.
Não
porque deixamos de sentir.
Mas
porque desejamos que aquele que amamos esteja bem.
E,
enquanto aguardamos os reencontros que a vida futura possa proporcionar,
continuamos aqui, trabalhando, aprendendo, servindo e procurando fazer o bem.
A melhor
prece por quem partiu pode começar com uma lágrima.
Mas
talvez deva terminar com uma esperança:
“Siga em
paz. Eu continuarei vivendo. E farei do amor que você deixou em mim uma razão
para ser uma pessoa melhor.”
Referências
1. Obras Fundamentais da Codificação Espírita
- KARDEC,
Allan. O
Livro dos Espíritos. Paris, 1857. Especialmente Parte Segunda, capítulo III
— “Da volta do Espírito, extinta a vida corpórea, à vida espiritual”, questões
149 a 165.
- KARDEC,
Allan. O
Evangelho segundo o Espiritismo. Paris, 1864. Especialmente capítulos V —
“Bem-aventurados os aflitos”; XXVII — “Pedi e obtereis”; XXVIII — “Coletânea de
preces espíritas”.
- KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina segundo o Espiritismo. Paris, 1865. Especialmente Primeira Parte, capítulos II — “Temor da morte” e III — “O céu”; Segunda Parte — “Exemplos”.
2. Obras Complementares Históricas
- KARDEC,
Allan. Revista
Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos. Paris, 1858–1869. Ano de 1860,
texto “A tristeza e o pesar”.
3. Passagens bíblicas
- João,
11:25-26. Jesus e
a afirmação da vida para além da morte.
4. Fontes Externas Utilizadas
- ORGANIZAÇÃO
MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Informações sobre saúde mental, luto e a importância das redes de apoio
no enfrentamento de situações de sofrimento psicológico.
- INSTITUTO
BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Informações estatísticas relacionadas à saúde e às
condições de vida da população brasileira.
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