Uma visão
integrada da existência, do progresso e da vida em sociedade
Compreender os princípios fundamentais do
Espiritismo não significa apenas conhecer uma lista de conceitos. Significa
perceber como Deus, o princípio inteligente, o Espírito, o Homem, a encarnação,
a vida social, a relação entre os mundos espiritual e corporal, o
livre-arbítrio, a responsabilidade, o progresso e a caridade formam uma
concepção integrada da existência.
INTRODUÇÃO
— PRINCÍPIOS QUE SE ENCADEIAM
Quando alguém começa a estudar o Espiritismo, é comum encontrar uma
relação dos seus chamados princípios fundamentais: Deus, a existência e a
imortalidade dos Espíritos, a reencarnação, a comunicabilidade dos Espíritos, a
pluralidade dos mundos habitados, o progresso, as leis morais e a vida futura.
Essa apresentação é útil, mas pode deixar uma impressão equivocada.
Pode parecer que estamos diante de uma coleção de ideias independentes,
reunidas em uma mesma doutrina.
Entretanto, quando examinamos com atenção as obras de Allan Kardec,
percebemos algo diferente.
Os princípios se relacionam.
Um conduz ao outro.
A compreensão de Deus conduz à compreensão da criação. A compreensão da
criação conduz ao princípio inteligente. O princípio inteligente conduz à
compreensão do Espírito. A compreensão do Espírito esclarece a encarnação, o
perispírito e o Homem. A encarnação conduz à experiência, à liberdade e à
responsabilidade. A responsabilidade conduz à lei de causa e efeito e ao
progresso. E o progresso, por sua vez, não ocorre de maneira isolada: depende
das relações, da vida social, do trabalho, da aprendizagem e da cooperação
entre os seres.
Há, portanto, uma verdadeira arquitetura filosófica.
E talvez seja justamente essa arquitetura que permita compreender melhor
aquilo que o Espiritismo apresenta como conhecimento sobre a natureza, o
destino e a finalidade da existência.
Por isso, antes de perguntar como o Espírito progride, precisamos
perguntar:
Quem é o ser que progride?
PARTE I
— QUEM SOMOS?
1. DEUS: A INTELIGÊNCIA SUPREMA E A CAUSA
PRIMÁRIA
O ponto de partida é Deus.
Em O Livro dos Espíritos, a primeira questão apresenta Deus como
a Inteligência Suprema, causa primária de todas as coisas.
Essa afirmação não constitui apenas o primeiro item de uma lista.
Ela estabelece a base filosófica de todo o sistema.
Se existe uma Causa Primária, o Universo não é compreendido como uma
realidade sem fundamento ou como resultado de um acaso absoluto. A existência
possui leis, ordem e finalidade que ultrapassam aquilo que nossos sentidos
imediatamente percebem.
Ao mesmo tempo, a Doutrina estabelece uma distinção essencial entre o
Criador e suas criaturas.
Os Espíritos são criaturas de Deus. Não são partes da Divindade, nem
parcelas de Deus.
Essa distinção é importante porque impede que o princípio inteligente
seja confundido com a própria Inteligência Suprema.
Deus é a Causa.
O princípio inteligente é criatura.
E essa criatura possui um processo próprio de desenvolvimento.
2. ESPÍRITO: O PRINCÍPIO INTELIGENTE
Aqui encontramos uma das distinções mais importantes para compreender a
estrutura filosófica do Espiritismo.
Na questão 23 de O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta:
Que é o espírito?
A resposta é:
“O princípio inteligente do Universo.”
Essa definição merece atenção.
Nesse momento, ainda não estamos diante do Espírito individualizado que
encontramos posteriormente na obra.
Estamos diante do princípio inteligente.
Por isso, para fins didáticos e filosóficos, podemos utilizar uma
distinção gráfica:
espírito — princípio inteligente.
Espírito — princípio inteligente individualizado em
condição espiritual.
Essa diferenciação não pretende criar uma terminologia nova para
substituir a linguagem usual. É apenas um recurso para tornar mais visível uma
distinção que o próprio Kardec desenvolve.
Ela se torna particularmente importante quando chegamos à questão 76.
Ali, ao perguntar o que se pode entender por Espíritos, Kardec recebe a
resposta:
“Os seres inteligentes da criação.”
Ou seja, agora a palavra Espírito designa as individualidades dos seres
extracorpóreos.
Temos, portanto, uma passagem conceitual que não convém ignorar:
espírito → princípio inteligente
Espírito → ser inteligente individualizado
Essa distinção será fundamental para compreender o Homem.
3. ESPÍRITO, ALMA E HOMEM
É em O Que é o Espiritismo, especialmente no capítulo dedicado às
noções elementares de Espiritismo, que Kardec oferece uma formulação
particularmente esclarecedora.
Ali ele distingue a alma, o Espírito e o Homem, explicando que:
- a alma
é um ser simples;
- o
Espírito é um ser duplo;
- o
Homem é um ser triplo.
A explicação permite compreender que estamos falando do mesmo ser
inteligente considerado sob diferentes condições.
Podemos representar didaticamente:
espírito
→ princípio inteligente.
Espírito
→ princípio inteligente individualizado + perispírito.
Homem
→ princípio inteligente individualizado + perispírito + corpo material.
Não são três seres diferentes.
É o mesmo princípio inteligente considerado em diferentes condições de
manifestação.
Essa distinção é muito mais profunda do que uma simples questão de
terminologia.
Ela permite compreender por que a morte corporal não destrói o ser.
Quando o corpo deixa de funcionar, desaparece um dos elementos que
constituem o Homem.
O Espírito, porém, permanece.
4. O PERISPÍRITO: ENTRE O ESPÍRITO E A MATÉRIA
Se o Espírito não é o corpo, como se relaciona com o mundo material?
É nesse ponto que aparece o perispírito.
Em O Livro dos Espíritos, Kardec apresenta o perispírito como o
envoltório semimaterial do Espírito.
Ele não é a essência do ser.
Também não é o corpo físico.
É um elemento intermediário.
Assim, temos:
princípio inteligente → Espírito → perispírito → corpo
O esquema é apenas didático.
Não devemos imaginar que o ser seja uma espécie de mecanismo formado por
peças independentes.
O que importa perceber é que o princípio inteligente, individualizado
como Espírito, dispõe de um envoltório que permite suas relações com a matéria.
Quando encarnado, temos o Homem.
Quando desencarnado, temos o Espírito, ainda revestido de seu
perispírito.
A morte corporal, portanto, não significa desaparecimento da
individualidade.
Significa mudança de condição.
5. UMA ABSTRAÇÃO FILOSÓFICA: O QUE RESTARIA
SEM O PERISPÍRITO?
Aqui podemos fazer um pequeno exercício de raciocínio.
Não se trata de afirmar que um Espírito desencarnado possa simplesmente
perder seu perispírito e retornar à condição primitiva.
A Codificação não apresenta isso como processo real.
O Espírito progride.
Não retrocede à condição anterior.
Mas podemos realizar uma abstração.
Se, para fins de análise, retirarmos mentalmente do Espírito
individualizado aquilo que o caracteriza como ser revestido de perispírito, o
que restaria?
Conceitualmente: o princípio inteligente.
Esse exercício é útil porque evidencia que o perispírito não constitui a
essência do ser.
Ele é um envoltório e instrumento de manifestação.
Essa é uma dedução filosófica e didática, e não uma afirmação de
que exista efetivamente um processo de despojamento do perispírito seguido de
retorno à condição primitiva.
A distinção é importante.
Raciocinar a partir dos princípios da Doutrina não significa transformar
toda dedução coerente em princípio doutrinário.
PARTE II
— DE ONDE VIEMOS E PARA ONDE VAMOS?
6. ESPÍRITOS CRIADOS SIMPLES E IGNORANTES
Uma vez compreendido quem é o ser inteligente, surge outra pergunta: qual
é sua condição inicial?
A questão 115 de O Livro dos Espíritos ensina que Deus criou
todos os Espíritos simples e ignorantes e os destina ao desenvolvimento
progressivo.
Isso significa que o Espírito não é criado perfeito.
Mas também não é criado mau.
A imperfeição inicial é consequência da ausência de desenvolvimento, e
não de uma natureza essencialmente má.
O Espírito aprende.
Desenvolve sua inteligência.
Adquire consciência.
Exercita sua liberdade.
Comete erros.
Enfrenta consequências.
Corrige-se.
Aprende novamente.
E progride.
A existência pode ser compreendida, assim, como um processo de
desenvolvimento do ser inteligente.
7. INTELIGÊNCIA, CONSCIÊNCIA E LIVRE-ARBÍTRIO
O desenvolvimento não significa apenas acumular conhecimentos.
À medida que o ser desenvolve inteligência e consciência, amplia também
sua capacidade de escolha.
O livre-arbítrio, na perspectiva espírita, não aparece como uma
liberdade absoluta, pronta e acabada desde o início.
Ele se desenvolve juntamente com a consciência.
Quanto maior a capacidade de compreender, escolher e agir
conscientemente, maior também a responsabilidade.
Podemos visualizar essa relação:
inteligência → consciência → escolha → responsabilidade → progresso.
Isso não significa que cada etapa esteja separada das demais.
Ao contrário.
Elas se influenciam.
O conhecimento amplia a capacidade de compreender.
A compreensão amplia a capacidade de escolher.
A escolha produz consequências.
As consequências proporcionam experiências.
As experiências podem produzir aprendizado.
E o aprendizado contribui para o progresso.
PARTE
III — DO ESPÍRITO À EXPERIÊNCIA CORPORAL
8. POR QUE EXISTE A ENCARNAÇÃO?
Se o Espírito é imortal e está destinado ao progresso, por que necessita
da existência corporal?
A questão 132 de O Livro dos Espíritos responde que a encarnação
tem por objetivo conduzir os Espíritos à perfeição.
A existência corporal oferece experiências que não seriam obtidas da
mesma maneira fora da matéria.
O Espírito encontra desafios.
Convive com outros seres.
Trabalha.
Escolhe.
Ama.
Erra.
Repara.
Desenvolve capacidades.
Participa da vida coletiva.
Enfrenta situações que colocam em movimento sua inteligência, sua
vontade e seus sentimentos.
Por isso, a encarnação não deve ser compreendida apenas como castigo.
Ela é uma etapa do desenvolvimento.
E existe ainda outro aspecto fundamental:
o Espírito encarnado não participa apenas de seu próprio progresso.
Ele também participa da obra geral da criação.
É aqui que a questão 540 ganha importância.
9. TUDO SERVE, TUDO SE ENCADEIA
Ao tratar da ação dos Espíritos nos fenômenos da Natureza, Kardec
apresenta uma imagem de grande alcance filosófico.
Os Espíritos mais atrasados, ainda sem plena consciência de seus atos e
de seu livre-arbítrio, podem participar de determinados fenômenos sem
compreender a finalidade mais ampla de sua ação.
Primeiro executam.
Depois, à medida que sua inteligência se desenvolve, passam a dirigir.
Mais adiante, podem atuar também sobre a ordem moral.
E Kardec conclui com uma expressão extraordinária: “É assim que tudo
serve, tudo se encadeia na Natureza...”
Em seguida aparece a conhecida imagem do átomo e do arcanjo.
Essa passagem deve ser lida com atenção.
Ela evidencia uma concepção de Universo em que não existem seres
absolutamente inúteis.
Cada um participa, dentro de suas possibilidades, da harmonia geral.
O Espírito que ainda não compreende plenamente sua própria participação
pode estar contribuindo para processos que ultrapassam sua percepção.
Isso nos oferece uma ideia particularmente importante: o
desenvolvimento do ser acontece simultaneamente à sua participação na vida
universal.
Não precisamos esperar atingir elevada condição espiritual para sermos
úteis.
A própria aprendizagem acontece enquanto participamos.
PARTE IV
— A RELAÇÃO ENTRE OS DOIS MUNDOS
10. MUNDO ESPIRITUAL E MUNDO CORPORAL
A questão 85 de O Livro dos Espíritos estabelece a primazia do
mundo espiritual na ordem das coisas.
A questão 86 acrescenta algo ainda mais importante.
Perguntados se o mundo corporal poderia deixar de existir sem alterar a
essência do mundo espírita, os Espíritos respondem que os dois mundos são
independentes, mas acrescentam: “é incessante a correlação entre ambos,
porquanto um sobre o outro incessantemente reagem.”
Essa afirmação merece ser cuidadosamente considerada.
Independência não significa isolamento.
Os dois mundos possuem naturezas próprias, mas mantêm relação
permanente.
Isso significa que a existência espiritual e a corporal não são dois
universos completamente separados.
Existe interação.
Existe influência.
Existe continuidade.
Existe participação recíproca.
11. A GÊNESE E OS DOIS ELEMENTOS DA NATUREZA
Essa concepção é ampliada em A Gênese.
No capítulo XI, Kardec apresenta o elemento espiritual e o elemento
material como dois princípios ou forças vivas da Natureza, cuja ação simultânea
explica fenômenos que não poderiam ser adequadamente compreendidos
considerando-se apenas um deles.
A ideia é extremamente importante.
Não se trata simplesmente de afirmar que "Espíritos podem aparecer
aos homens".
A relação é mais abrangente.
O elemento espiritual e o material participam de uma realidade na qual
suas ações se relacionam continuamente.
Assim, a questão 86 de O Livro dos Espíritos encontra em A
Gênese uma ampliação conceitual.
O mundo espiritual e o mundo corporal são independentes em sua natureza,
mas não vivem em isolamento.
Reagem incessantemente um sobre o outro.
Isso ajuda a compreender por que o Espiritismo estuda simultaneamente:
- o
mundo espiritual;
- o
mundo corporal;
- as
relações entre ambos;
- a
influência dos Espíritos;
- a
encarnação;
- a
desencarnação;
- a
mediunidade;
- e as
consequências morais dessas relações.
12. A INFLUÊNCIA ESPIRITUAL NÃO É APENAS
MEDIÚNICA
Essa observação também impede uma redução frequente.
Quando se fala em relação entre os mundos, pode-se imaginar
imediatamente uma comunicação mediúnica ostensiva.
Mas a influência espiritual é muito mais ampla.
Os Espíritos podem influenciar os homens de maneira que estes nem sequer
percebam.
Da mesma forma, as ações humanas repercutem no ambiente espiritual.
Pensamentos, escolhas, sentimentos, relações e comportamentos participam
dessa interação.
Isso não significa atribuir origem espiritual a tudo aquilo que pensamos
ou fazemos.
A existência da influência espiritual não elimina a atividade própria do
indivíduo.
Pelo contrário.
Ela precisa ser compreendida juntamente com o livre-arbítrio, o
discernimento e a responsabilidade.
PARTE V
— A NECESSIDADE DA VIDA SOCIAL
13. NINGUÉM PROGRIDE SOZINHO
Chegamos agora a um princípio que merece posição muito mais central nas
apresentações dos fundamentos do Espiritismo: a necessidade da vida social.
Em O Livro dos Espíritos, a questão 766 afirma que a vida social
está na natureza e que Deus fez o Homem para viver em sociedade.
A questão 767 acrescenta que todos devem concorrer para o progresso,
auxiliando-se mutuamente.
Mas é a questão 768 que oferece uma explicação particularmente profunda.
O Homem precisa da sociedade porque não possui todas as faculdades
completas.
Pelo contato com os outros, as faculdades se completam.
E Kardec conclui: “tendo necessidade uns dos outros, os homens foram
feitos para viver em sociedade e não insulados.”
Isso modifica profundamente a maneira de compreender o progresso.
O desenvolvimento espiritual não é uma aventura exclusivamente
individual.
Precisamos dos outros.
E os outros precisam de nós.
14. A SOCIEDADE COMO AMBIENTE DE
DESENVOLVIMENTO
A vida social não é apenas uma necessidade prática.
É também um instrumento de desenvolvimento.
Na convivência aparecem situações que não surgiriam no isolamento.
Precisamos aprender a dialogar.
Cooperar.
Dividir.
Perdoar.
Respeitar.
Discordar.
Ceder.
Defender direitos.
Cumprir deveres.
Trabalhar.
Ensinar.
Aprender.
Conviver com diferenças.
A sociedade, portanto, oferece oportunidades permanentes para que nossas
capacidades sejam exercitadas.
Não é suficiente afirmar que amamos o próximo em teoria.
É na convivência que descobrimos até que ponto conseguimos realmente
fazê-lo.
Por isso, conflitos e diferenças não precisam ser vistos apenas como
obstáculos.
Podem também constituir experiências de aprendizado.
Naturalmente, isso não significa justificar injustiças ou aceitar
abusos.
Significa compreender que a convivência humana é um dos grandes campos
de exercício do progresso.
PARTE VI
— NINGUÉM É ABSOLUTAMENTE INÚTIL
15. A QUESTÃO 540 E A PARTICIPAÇÃO DE CADA UM
A questão 540 apresenta outra ideia que merece ser aproximada da Lei de
Sociedade.
Se os Espíritos mais atrasados podem ser úteis ao conjunto, então a
utilidade de um ser não depende exclusivamente do grau de conhecimento que já
alcançou.
Existe uma participação progressiva.
Primeiro, o ser pode executar sem compreender.
Depois, compreende mais.
Posteriormente, passa a dirigir.
Mais adiante, pode participar conscientemente de tarefas cada vez mais
amplas.
Temos aqui uma verdadeira pedagogia da existência.
O ser aprende fazendo.
Participa antes de compreender integralmente.
E compreende melhor à medida que participa.
Essa ideia também impede que associemos progresso exclusivamente a
privilégios.
Quanto mais o Espírito progride, maior não é apenas sua capacidade de
conhecer.
Maior é também sua capacidade de servir.
16. UM SUPERIOR E UM INFERIOR
Essa ideia encontra uma expressão moral particularmente bela na mensagem
de Vicente de Paulo publicada na Revista Espírita de dezembro de 1859,
relacionada à questão 888 de O Livro dos Espíritos.
O ensinamento afirma: “Não olvideis jamais que o Espírito, qualquer
que seja o seu grau de adiantamento, sua situação como reencarnado, ou na
erraticidade, está sempre colocado entre um superior, que o guia e aperfeiçoa,
e um inferior, perante o qual tem os mesmos deveres a cumprir.”
A profundidade desse ensinamento merece ser destacada.
Nenhum Espírito está absolutamente isolado no processo de aprendizagem.
Sempre existe alguém que sabe mais.
E sempre existe alguém que pode aprender conosco.
Essa posição é dinâmica.
Hoje aprendemos.
Amanhã ensinamos.
Em determinado aspecto podemos ser orientados.
Em outro, podemos orientar.
Podemos receber auxílio de alguém mais adiantado e, simultaneamente, ter
responsabilidades para com alguém que se encontra em estágio diferente do
nosso.
Não existe, portanto, uma hierarquia que elimine a responsabilidade.
Existe uma rede de aprendizagem e auxílio.
17. SUPERIORIDADE NÃO SIGNIFICA DOMINAÇÃO
O ensinamento de Vicente de Paulo também ajuda a corrigir uma
interpretação equivocada da ideia de superioridade espiritual.
Ser superior não significa dominar.
Significa possuir maior desenvolvimento em determinado aspecto e, por
isso, estar em condições de orientar e auxiliar.
Da mesma maneira, ser inferior em desenvolvimento não significa ser
desprezível.
Significa encontrar-se em outro estágio de aprendizagem.
A relação correta é de responsabilidade.
Quem sabe mais auxilia.
Quem sabe menos aprende.
Mas aquele que hoje aprende poderá amanhã ensinar.
É justamente por isso que o progresso espiritual não combina com
orgulho.
Quanto maior o desenvolvimento, maior deveria ser a capacidade de
compreender, auxiliar e servir.
PARTE
VII — PROGRESSO, TRABALHO E RESPONSABILIDADE
18. O PROGRESSO NÃO É PASSIVO
O Espírito não progride simplesmente porque o tempo passa.
Ele progride porque aprende, escolhe, trabalha, experiencia e
transforma-se.
A questão 779 de O Livro dos Espíritos oferece uma complementação
muito significativa: os Espíritos mais adiantados auxiliam o progresso dos
outros por meio do contato social.
Isso aproxima diretamente a Lei de Sociedade da Lei do Progresso.
Não são princípios separados.
A sociedade é um dos meios pelos quais o progresso acontece.
E o progresso, por sua vez, torna o indivíduo cada vez mais capaz de
contribuir para o progresso coletivo.
Temos, portanto, um movimento circular: eu progrido → torno-me mais
capaz de auxiliar → auxílio outros → outros progridem → a sociedade se
desenvolve → novas oportunidades de aprendizado surgem para todos.
O progresso individual e o coletivo se relacionam.
19. TRABALHO COMO PARTICIPAÇÃO NA OBRA GERAL
A questão 674 de O Livro dos Espíritos apresenta o trabalho como
lei da Natureza.
O trabalho não deve ser reduzido à atividade profissional.
Ele representa, em sentido amplo, esforço, ação e participação.
Isso se harmoniza com a questão 540.
O ser participa da ordem geral mesmo antes de compreender completamente
sua função.
À medida que desenvolve inteligência e consciência, passa a participar
de maneira cada vez mais deliberada.
Assim, trabalho e progresso se relacionam.
Trabalhar é agir.
Agir é experimentar.
Experimentar é aprender.
Aprender é desenvolver-se.
E desenvolver-se é tornar-se progressivamente mais capaz de colaborar.
PARTE
VIII — LIVRE-ARBÍTRIO, LEI DE CAUSA E EFEITO E PROGRESSO
20. LIBERDADE NÃO SIGNIFICA AUSÊNCIA DE
CONSEQUÊNCIAS
Se o ser é livre, suas escolhas possuem consequências.
É aqui que encontramos a lei de causa e efeito.
Ela não deve ser compreendida como uma máquina de punição.
Sua lógica é educativa.
As escolhas produzem resultados.
Alguns são imediatos.
Outros aparecem posteriormente.
Alguns são percebidos no próprio indivíduo.
Outros atingem as relações sociais.
Outros ainda ultrapassam os limites de uma existência corporal.
A consequência permite ao Espírito compreender os resultados de sua
própria ação.
Dessa maneira, liberdade e responsabilidade caminham juntas.
21. A LEI DIVINA E A CONSCIÊNCIA
A questão 621 de O Livro dos Espíritos responde de forma direta
onde está escrita a lei natural:
“Na consciência.”
Essa afirmação é fundamental.
A lei divina não é apresentada apenas como um conjunto de determinações
externas.
Existe uma dimensão interior.
A consciência torna-se, portanto, um campo de desenvolvimento.
Quanto mais o Espírito compreende o bem, mais responsabilidade possui
por suas escolhas.
E quanto mais consciência possui, menos justificável se torna agir
contra aquilo que já compreende.
O progresso moral, desse modo, não consiste apenas em saber o que é
certo.
Consiste em transformar conhecimento em conduta.
PARTE IX
— REENCARNAÇÃO E CONTINUIDADE DA EXISTÊNCIA
22. A MORTE NÃO É O FIM DO SER
Se o corpo é apenas um dos elementos constitutivos do Homem, sua
destruição não pode significar a destruição do Espírito.
A morte é a separação do corpo.
O ser inteligente continua.
Essa compreensão é indispensável para entender a reencarnação.
Se houvesse apenas uma existência corporal, grande parte das diferenças
humanas pareceria inexplicável dentro de uma concepção de justiça divina.
A pluralidade das existências oferece outro enquadramento.
O Espírito possui uma história que ultrapassa os limites de uma única
vida corporal.
23. REENCARNAÇÃO: NOVAS EXPERIÊNCIAS, NÃO
REPETIÇÃO MECÂNICA
Cada existência corporal oferece novas condições de aprendizado.
O Espírito retorna à experiência material com necessidades,
possibilidades e desafios compatíveis com seu processo de desenvolvimento.
Não se trata simplesmente de repetir a mesma vida.
Cada encarnação constitui uma nova etapa.
A vida corporal, assim, integra uma trajetória maior.
O nascimento não representa o começo absoluto do ser.
A morte não representa o fim absoluto.
Existe continuidade.
E essa continuidade confere maior profundidade à responsabilidade pelas
escolhas.
PARTE X
— A PLURALIDADE DOS MUNDOS
24. UM UNIVERSO MAIOR DO QUE A EXPERIÊNCIA
TERRENA
A ideia de pluralidade dos mundos habitados amplia ainda mais essa
perspectiva.
Se o Espírito progride e as condições de existência podem variar, não há
razão para limitar sua trajetória a um único mundo.
Os diferentes mundos oferecem condições diversas de experiência e
desenvolvimento.
A própria concepção do perispírito, apresentada em O Livro dos
Espíritos, acompanha essa diversidade, uma vez que sua natureza está
relacionada às condições do mundo em que o Espírito se manifesta.
Mais uma vez encontramos a mesma lógica: o ser permanece; as
condições de manifestação podem mudar.
PARTE XI
— COMUNICABILIDADE E DISCERNIMENTO
25. A RELAÇÃO ENTRE OS MUNDOS NÃO DISPENSA A
RAZÃO
Se o mundo espiritual e o mundo corporal se relacionam incessantemente,
compreende-se a possibilidade das comunicações entre Espíritos e homens.
Mas existe aqui uma advertência metodológica fundamental.
A comunicabilidade não significa que toda mensagem atribuída aos
Espíritos seja verdadeira.
Os Espíritos apresentam diferentes graus de conhecimento, moralidade e
desenvolvimento.
Portanto, a origem espiritual atribuída a uma comunicação não constitui,
por si só, garantia de verdade.
É necessário examinar.
Comparar.
Raciocinar.
Observar.
Confrontar.
Verificar a coerência.
E considerar o conjunto dos princípios estabelecidos pelo método
espírita.
A mediunidade não substitui a razão.
A comunicação espiritual não elimina o discernimento.
Ao contrário: quanto maior a possibilidade de comunicação, maior a
necessidade de discernimento.
PARTE
XII — CARIDADE: A CONSEQUÊNCIA MORAL DE TODO O SISTEMA
26. POR QUE A CARIDADE OCUPA UM LUGAR CENTRAL?
Depois de percorrer todo esse caminho, podemos compreender melhor por
que a caridade ocupa posição tão elevada na Doutrina Espírita.
Se somos seres inteligentes criados por Deus;
se somos imortais;
se estamos destinados ao progresso;
se possuímos livre-arbítrio;
se nossas escolhas produzem consequências;
se precisamos uns dos outros;
se aprendemos com aqueles que estão acima e temos deveres para com
aqueles que estão abaixo;
se participamos juntos da ordem geral da criação;
então a relação com o próximo deixa de ser uma questão secundária.
Ela faz parte do próprio processo de evolução.
A questão 886 de O Livro dos Espíritos apresenta a caridade,
segundo o ensino de Jesus, como benevolência para com todos, indulgência para
com as imperfeições alheias e perdão das ofensas.
Isso amplia muito o significado da palavra.
Caridade não é apenas assistência material.
É uma atitude perante o outro.
É compreender.
Respeitar.
Auxiliar.
Ensinar.
Perdoar.
Corrigir sem humilhar.
Orientar sem dominar.
Discordar sem odiar.
Ajudar sem criar dependência.
E reconhecer que aquele que hoje necessita de auxílio pode amanhã estar
em condições de oferecê-lo.
PARTE
XIII — OS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS COMO UMA ÚNICA VISÃO
27. O ENCADEAMENTO
Depois de percorrer esses conceitos, podemos reuni-los em uma única
estrutura.
Deus
Inteligência Suprema e Causa Primária.
↓
espírito
Princípio inteligente.
↓
Espírito
Princípio inteligente individualizado em condição espiritual, revestido de
perispírito.
↓
Homem
Espírito unido ao corpo material.
↓
Encarnação
Experiência corporal destinada ao desenvolvimento e à participação na obra
geral.
↓
Relação entre os mundos
Mundo espiritual e mundo corporal são distintos, mas reagem incessantemente um
sobre o outro.
↓
Vida social
O ser precisa do contato com outros seres para desenvolver suas faculdades e
progredir.
↓
Trabalho e participação
Cada ser contribui, dentro de suas possibilidades, para a ordem geral.
↓
Aprendizagem recíproca
Sempre existe alguém que nos auxilia e alguém perante quem temos deveres.
↓
Livre-arbítrio
A consciência permite escolhas progressivamente mais responsáveis.
↓
Lei de causa e efeito
As escolhas produzem consequências.
↓
Progresso
O Espírito desenvolve-se continuamente.
↓
Reencarnação
Novas existências oferecem novas oportunidades de experiência e aprendizado.
↓
Pluralidade dos mundos
O desenvolvimento não está limitado às condições de um único mundo.
↓
Comunicabilidade dos Espíritos
As relações entre os dois mundos podem manifestar-se também pelas comunicações
espirituais.
↓
Lei divina
A orientação moral encontra-se na consciência.
↓
Caridade
A compreensão da vida transforma-se em responsabilidade para com todos.
Essa sequência permite perceber que os princípios não são compartimentos
isolados.
Formam uma concepção integrada.
28. A GRANDE CONSEQUÊNCIA: NINGUÉM PROGRIDE
SOZINHO
Talvez esta seja uma das conclusões mais importantes de todo o estudo.
O Espírito progride individualmente, mas não progride isoladamente.
Ele precisa dos outros.
Precisa daqueles que o orientam.
Precisa daqueles que convivem com ele.
Precisa daqueles que o desafiam.
Precisa daqueles que dependem de sua colaboração.
E também precisa daqueles a quem pode ensinar.
A sociedade deixa de ser apenas o lugar onde vivemos.
Ela se transforma em ambiente de desenvolvimento.
A família.
O trabalho.
A amizade.
A comunidade.
As relações humanas.
As diferenças.
Os conflitos.
As oportunidades de serviço.
Tudo isso pode constituir campo de aprendizagem.
Por isso, a evolução espiritual não deve ser imaginada como uma fuga da
sociedade.
Ao contrário.
O próprio ensinamento dos Espíritos mostra que o contato social
contribui para o progresso.
29. NINGUÉM É TÃO PEQUENO QUE NÃO POSSA SERVIR
A questão 540 oferece outra consequência.
Mesmo os Espíritos mais atrasados podem ser úteis ao conjunto.
Isso significa que a utilidade não depende de uma condição de perfeição.
O ser pode contribuir enquanto ainda aprende.
Essa constatação possui uma consequência moral muito importante.
Não devemos esperar ser perfeitos para fazer o bem.
Não precisamos possuir conhecimentos extraordinários para auxiliar.
Não precisamos ocupar posição elevada para sermos úteis.
Podemos começar onde estamos.
Com aquilo que temos.
Dentro de nossas possibilidades.
O progresso acontece justamente nessa participação.
Primeiro fazemos com pouca compreensão.
Depois compreendemos melhor.
Mais tarde fazemos conscientemente.
E, à medida que avançamos, nossa participação torna-se mais ampla e
responsável.
30. O SUPERIOR TAMBÉM TEM DEVERES
A mensagem de Vicente de Paulo acrescenta uma dimensão ainda mais
profunda.
O superior guia e aperfeiçoa.
Mas o superior também tem deveres perante o inferior.
Isso significa que o desenvolvimento não cria privilégios morais.
Cria responsabilidades.
Quanto mais sabemos, maior a possibilidade de auxiliar.
Quanto mais podemos, maior nossa responsabilidade pelo uso de nossas
possibilidades.
Quanto mais compreendemos, menos razoável é utilizar o conhecimento para
humilhar quem ainda não compreende.
O verdadeiro progresso espiritual não produz desprezo pelos menos
adiantados.
Produz disposição para ajudá-los.
REFLEXÃO
FINAL — UMA VISÃO INTEGRADA DA EXISTÊNCIA
Os princípios fundamentais do Espiritismo podem ser apresentados em
poucas palavras.
Mas compreendê-los exige muito mais.
Deus.
Princípio inteligente.
Espírito.
Perispírito.
Homem.
Encarnação.
Imortalidade.
Reencarnação.
Livre-arbítrio.
Responsabilidade.
Lei de causa e efeito.
Progresso.
Pluralidade dos mundos.
Comunicabilidade dos Espíritos.
Lei divina.
Vida social.
Trabalho.
Caridade.
Quando observados separadamente, parecem conceitos distintos.
Quando relacionados, revelam uma visão integrada da existência.
O ser inteligente não está sozinho no Universo.
Ele participa.
Aprende.
Ensina.
Recebe.
Oferece.
Relaciona-se.
Trabalha.
Escolhe.
Responde pelas escolhas.
E progride.
O mundo espiritual não está isolado do mundo corporal.
Ambos são distintos, mas se relacionam incessantemente.
O indivíduo não está separado da sociedade.
Precisa dela para desenvolver-se.
E a sociedade precisa da contribuição de seus integrantes.
O Espírito não progride apenas adquirindo conhecimentos.
Progride também pela maneira como utiliza aquilo que aprende.
E, nesse processo, a caridade deixa de ser uma simples palavra
religiosa.
Ela passa a representar a consequência natural de uma compreensão mais
ampla da existência.
Se somos todos seres em desenvolvimento, ninguém é descartável.
Se todos precisamos de auxílio, ninguém é absolutamente autossuficiente.
Se sempre existe alguém acima de nós em algum aspecto, sempre temos algo
a aprender.
E se sempre existe alguém abaixo de nós em algum aspecto, sempre temos
algum dever a cumprir.
Talvez seja
justamente essa uma das mais belas consequências da visão espírita: ninguém caminha sozinho, ninguém é
inútil e ninguém está dispensado de aprender ou de servir.
É por isso
que “Fora da caridade não
há salvação”, pois ninguém vive somente para si.
A
compreensão dos princípios fundamentais do Espiritismo, portanto, não deveria
terminar em uma lista de conceitos memorizados.
Ela deveria
produzir uma pergunta muito mais íntima: diante
de tudo aquilo que já compreendemos sobre a existência, como estamos utilizando
a oportunidade de viver?
A resposta não está apenas no que pensamos.
Está no que fazemos.
No modo como tratamos aqueles que convivem conosco.
Na responsabilidade com que utilizamos nossa liberdade.
Na disposição para aprender.
Na disposição para ensinar.
Na maneira como enfrentamos nossas próprias imperfeições.
E, principalmente, na capacidade de transformar conhecimento em ação.
Porque compreender a existência é importante.
Mas transformar a existência é o verdadeiro desafio.
NOTA METODOLÓGICA
Este estudo procura distinguir os princípios diretamente apresentados na
Codificação das sínteses filosóficas utilizadas para relacioná-los.
A distinção entre espírito, como princípio inteligente; Espírito,
como individualidade espiritual; e Homem, como ser constituído pela
alma, pelo perispírito e pelo corpo, fundamenta-se especialmente em O Livro
dos Espíritos e em O Que é o Espiritismo.
A representação esquemática desses conceitos como uma sequência é
utilizada apenas como recurso didático. Não deve ser entendida como descrição
simplificada de três seres diferentes nem como uma cronologia obrigatória.
Da mesma forma, o exercício de imaginar o que restaria do Espírito se
retirássemos conceitualmente o perispírito é uma abstração filosófica destinada
a destacar a diferença entre o princípio inteligente e seu envoltório. Não
significa afirmar que o Espírito individualizado possa efetivamente perder o
perispírito e retornar à condição primitiva.
A questão 540 foi utilizada principalmente para evidenciar a ideia de encadeamento,
participação e utilidade no conjunto da Natureza. A conhecida referência ao
átomo e ao arcanjo deve ser estudada com cautela quando utilizada para
estabelecer conclusões específicas sobre as etapas iniciais do princípio
inteligente, pois a questão está inserida no contexto da ação dos Espíritos nos
fenômenos da Natureza.
Da mesma maneira, a relação entre os mundos espiritual e corporal foi
apresentada a partir da questão 86 de O Livro dos Espíritos e ampliada
pelo tratamento de A Gênese sobre os elementos espiritual e material.
O objetivo geral é raciocinar a partir dos princípios estabelecidos pela
Codificação, sem transformar deduções coerentes em afirmações que as fontes não
estabelecem diretamente.
REFERÊNCIAS
Fundamentais
- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. - Especialmente questões 1, 23, 76–95, 114–122, 132–134, 540, 621, 674, 766–780, 886 e 888-a.
- KARDEC, Allan. O Que é o Espiritismo. - Especialmente capítulo II — “Noções elementares de Espiritismo”, particularmente os itens relativos à natureza dos Espíritos, à alma, ao perispírito e ao Homem.
- KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. - Especialmente as partes relativas à natureza dos Espíritos, às comunicações e ao discernimento.
- KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. - Especialmente os capítulos relacionados à lei de amor, justiça, caridade e aperfeiçoamento moral.
- KARDEC, Allan. A Gênese, os milagres e as predições segundo o Espiritismo. - Especialmente capítulo XI — “Gênese espiritual”, sobre os elementos espiritual e material.
- KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina segundo o Espiritismo.
Fonte histórica
- KARDEC, Allan. Revista Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos, especialmente dezembro de 1859, mensagem de Vicente de Paulo.
Fonte digital de consulta
- KardecPedia. Textos digitais das obras de Allan Kardec consultados para conferência das questões e passagens utilizadas neste estudo.
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