terça-feira, 16 de setembro de 2025

CENTROS DE FORÇA E PLEXOS
UMA ANÁLISE COM BASE NA DOUTRINA ESPÍRITA
- A Era do Espírito -

Introdução

A ideia de que o ser humano é formado por múltiplos aspectos — físico, psíquico e espiritual — está presente em diversas tradições religiosas e filosóficas. Entre elas, o conceito dos chakras, oriundo do Hinduísmo e do Budismo, descreve centros de energia distribuídos ao longo da coluna vertebral, considerados responsáveis pela captação e distribuição da energia vital no organismo. Em paralelo, a ciência reconhece os plexos nervosos como redes anatômicas que organizam e distribuem os impulsos do sistema nervoso.

No campo espírita, a Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec no século XIX, não utiliza o termo “chakra”, mas reconhece a existência do perispírito, corpo semimaterial que serve de elo entre o espírito e o corpo físico. Segundo Kardec, é por meio do perispírito que os fluidos vitais e espirituais atuam sobre o organismo (cf. O Livro dos Médiuns, 2ª parte, cap. I e IV). Esta visão abre espaço para analisar, de modo crítico e comparativo, os chamados centros de força e os plexos do corpo físico à luz dos princípios espíritas.

Centros de força no Espiritismo e os chakras das tradições orientais

Na tradição oriental, os chakras são descritos como vórtices energéticos localizados ao longo da coluna, responsáveis por aspectos físicos, emocionais e espirituais do ser humano. Os sete principais seriam: coronário, frontal, laríngeo, cardíaco, plexo solar, sacral e raiz.

A Doutrina Espírita não adota esse sistema, mas a codificação reconhece que o perispírito contém “órgãos” ou “centros de atividade” que interagem com os órgãos do corpo físico, transmitindo as impressões do espírito ao corpo e vice-versa (O Livro dos Espíritos, q.135–146). Kardec observa que toda ação do espírito sobre o corpo se dá através do perispírito, que serve de intermediário.

Assim, ao se comparar os conceitos, os centros de força do perispírito seriam análogos funcionais aos chakras — no sentido de serem pontos de ligação entre os planos espiritual e físico. Essa ideia é coerente com observações feitas por Kardec na Revista Espírita (mar/1858 e fev/1866), quando relata fenômenos de curas espirituais e menciona que o fluido espiritual penetra e vitaliza os órgãos através do perispírito.

Contudo, diferentemente do sistema oriental, a Doutrina Espírita não associa tais centros a cores, mantras ou poderes específicos, nem lhes atribui funções místicas. O enfoque espírita é funcional e moral: os centros perispirituais são instrumentos do espírito, e seu equilíbrio decorre principalmente do estado moral e mental do indivíduo, não de práticas ritualísticas.

Plexos nervosos e sua relação com os centros perispirituais

A ciência reconhece os plexos nervosos como redes de fibras nervosas que distribuem os impulsos do sistema nervoso central para órgãos e membros. Entre os principais estão o plexo braquial, responsável pela inervação dos membros superiores, e o plexo lombossacral, que controla a região pélvica e os membros inferiores.

Embora Kardec não trate diretamente dos plexos, ele afirma que o perispírito se liga ao corpo célula a célula e que os fluidos espirituais atuam sobre os órgãos por meio dos centros nervosos (A Gênese, cap. XIV, item 18). Isso sugere que os plexos nervosos poderiam ser considerados contrapartes físicas dos centros de força do perispírito, funcionando como pontos de recepção e transmissão das ordens do espírito ao corpo.

Essa ideia está alinhada à concepção espírita de que a saúde depende da harmonia entre espírito, perispírito e corpo. Se o perispírito está desequilibrado, essa desarmonia pode refletir-se nos plexos e nos órgãos físicos correspondentes, ocasionando disfunções (Revista Espírita, fev/1864).

Considerações doutrinárias e critérios de análise

Apesar da semelhança funcional, é importante ressaltar que o Espiritismo não incorpora o sistema dos chakras como parte de sua doutrina. Kardec foi rigoroso ao afirmar que os ensinamentos espíritas só podem ser aceitos como doutrina quando confirmados de modo universal, racional e concordante pelos Espíritos superiores (O Livro dos Médiuns, 2ª parte, cap. XXVII).

Até hoje, não existe na codificação espírita nem na Revista Espírita qualquer validação direta do conceito oriental dos chakras, mas apenas descrições gerais sobre o papel do perispírito e da circulação dos fluidos vitais. Assim, embora possamos estabelecer paralelos didáticos entre chakras e centros perispirituais, tal comparação deve ser vista como hipotética e extrínseca à doutrina espírita.

Conclusão

A comparação entre os chakras das tradições orientais e os centros de força do perispírito, bem como sua relação com os plexos nervosos do corpo físico, pode enriquecer o diálogo interdisciplinar entre ciência e espiritualidade. No entanto, à luz da Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec, é necessário distinguir claramente o que pertence à doutrina e o que são apenas aproximações conceituais.

O Espiritismo reconhece o perispírito e a influência dos fluidos espirituais sobre o organismo, mas não adota o sistema dos chakras, nem propõe práticas para “ativá-los” ou “alinhá-los”. Seu foco permanece no aperfeiçoamento moral e intelectual do espírito, condição essencial para a harmonia entre corpo e alma.

Portanto, os chakras e os plexos podem ser estudados como recursos de compreensão complementar, mas não constituem parte integrante da Doutrina Espírita.

Referências

  • Allan Kardec. O Livro dos Espíritos, questões 135 a 146, onde trata do laço entre alma, perispírito e corpo, base teórica para compreender essa integração energética.1ª ed., 1857.
  • Allan Kardec. O Livro dos Médiuns. 1ª ed., 1861.
  • Allan Kardec. A Gênese. 1ª ed., 1868.
  • Revista Espírita (1858–1869). Diversos artigos sobre perispírito, fluidos vitais e curas espirituais.
  • André Luiz — obras psicografadas por Francisco Cândido Xavier, como Nos Domínios da Mediunidade e Evolução em Dois Mundos, que descrevem os centros de força e o papel do perispírito na saúde.
  • O Livro dos Chakras, de C.W. Leadbeater — abordagem clássica do conceito de chakras no pensamento teosófico.
  • Anatomia Energética, de Caroline Myss — estudo moderno da correlação entre chakras e saúde.
  • Estudos em Neurociência e Psicossomática sobre a interação mente-corpo e redes neurais autônomas.

 

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