sexta-feira, 31 de outubro de 2025

AS PESSOAS E SUAS INFLUÊNCIAS ESPIRITUAIS
- A Era do Espírito -

Introdução

A convivência humana é um dos maiores laboratórios da evolução espiritual. Desde os primórdios, o Espírito encarnado aprende por meio do contato com o outro — no lar, no trabalho, na sociedade —, e cada relação se torna uma oportunidade de crescimento moral. Em tempos de hiperconectividade, quando somos expostos diariamente a inúmeras influências, tanto presenciais quanto virtuais, torna-se essencial compreender que tipo de energia estamos emitindo e recebendo.

A Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, oferece instrumentos lúcidos para entender esse intercâmbio de naturezas morais e espirituais. Ela nos mostra que os laços humanos não são frutos do acaso, mas expressões das afinidades e das necessidades evolutivas de cada Espírito. Assim, refletir sobre “que tipo de pessoa somos” é um exercício de autoconhecimento e de responsabilidade perante as Leis Divinas.

1. A diversidade das almas no convívio humano

Durante nossa existência, cruzamos com pessoas de diversas naturezas espirituais. Algumas irradiam alegria, paz e amor; outras, ainda presas a imperfeições morais, espalham desânimo, irritação ou discórdia. A Doutrina Espírita explica que essa diversidade decorre dos diferentes graus de adiantamento dos Espíritos encarnados na Terra, um mundo ainda classificado como de provas e expiações (O Livro dos Espíritos, q. 132 e 172).

As chamadas pessoas-sol, pessoas-lua, pessoas-lar e pessoas-amor representam aqueles Espíritos que, mesmo em meio às lutas, já compreenderam o valor do bem, da fraternidade e do perdão. São os portadores da luz moral, cujas vibrações harmoniosas magnetizam os ambientes e aliviam as dores alheias.

Em contrapartida, as pessoas-egoísmo, pessoas-orgulho ou pessoas-ódio simbolizam Espíritos que ainda se debatem nos conflitos do ego, sem perceber que toda ação contrária ao amor é autodestrutiva. Elas nos servem de espelho e de aprendizado, mostrando o que ainda precisamos corrigir em nós.

2. As afinidades espirituais e as leis de sintonia

Kardec ensina que “os Espíritos simpatizam uns com os outros segundo a semelhança de seus sentimentos” (O Livro dos Espíritos, q. 279). Isso significa que os encontros humanos não são fortuitos: atraímos ou repelimos pessoas conforme o teor vibratório que cultivamos.

No campo invisível, nossas psicosferas — campos mentais e emocionais — se entrelaçam, formando redes de afinidade. Quando há sintonia de amor e respeito, as trocas são edificantes; quando há orgulho, ciúme ou inveja, surgem choques e desgastes energéticos.

Essa compreensão é fundamental no mundo atual, em que as interações digitais ampliam nossa convivência para além das fronteiras físicas. Cada mensagem, cada comentário, cada palavra é uma emissão fluídica que contribui para o bem ou para o desequilíbrio coletivo.

3. As influências invisíveis e o papel da vigilância moral

A Revista Espírita (dezembro de 1861) já alertava que “vivemos mergulhados num oceano de influências espirituais”. Assim como o ar invisível nos envolve, os Espíritos — encarnados e desencarnados — trocam constantemente pensamentos e sentimentos.

Quando cultivamos boas intenções, atraímos Espíritos benévolos, que nos inspiram à paciência e à esperança. Mas, se nos deixamos dominar pelo pessimismo, pelo orgulho ou pela cólera, abrimos espaço à influência de Espíritos menos esclarecidos.

Por isso, Jesus nos recomendou: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação” (Mateus 26:41). A vigilância é o filtro da alma, e a oração é o canal de sintonia com o alto. Ambas nos ajudam a manter a serenidade diante das pessoas que cruzam nossos caminhos — sejam elas luzes ou desafios em nossa estrada.

4. O autoconhecimento como chave da convivência fraterna

Mais importante do que identificar se alguém é uma pessoa-amor ou uma pessoa-discórdia é perguntar: que tipo de pessoa sou eu?

A Doutrina Espírita nos convida ao exame de consciência, ao esforço constante de transformação íntima — não para julgar o outro, mas para aprimorar a nós mesmos. No Evangelho segundo o Espiritismo (cap. XVII, item 4), Kardec ensina que o verdadeiro espírita é reconhecido pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações.

Ser uma pessoa-concórdia, uma pessoa-amizade, uma pessoa-paz é construir ao redor de si um campo magnético de harmonia, capaz de influenciar positivamente lares, ambientes e instituições.

Conclusão

Vivemos entre pessoas de todos os tipos e graus evolutivos porque a Terra é uma escola de almas. Cada encontro é uma lição, cada convivência é uma oportunidade de progresso. A Doutrina Espírita nos mostra que ninguém entra em nossa vida por acaso: uns vêm para despertar o amor, outros para testar a paciência, e todos, sem exceção, nos auxiliam a crescer.

Ao final, a pergunta essencial permanece: seremos nós uma pessoa-luz ou uma pessoa-sombra? Uma pessoa-amor ou uma pessoa-indiferença?

A resposta está nas escolhas diárias que fazemos diante da vida e dos outros.

Referências

  • ALLAN KARDEC. O Livro dos Espíritos. 1860.
  • ALLAN KARDEC. O Evangelho segundo o Espiritismo. 1864.
  • ALLAN KARDEC. A Gênese. 1868.
  • ALLAN KARDEC. Revista Espírita (1858–1869), diversos volumes.
  • Momento Espírita. As pessoas. Disponível em: momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=7542&stat=0.
  • JESUS CRISTO. Evangelho segundo Mateus, 26:41.

 

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