Introdução
A
convivência entre seres humanos e animais acompanha a história da humanidade
desde seus primórdios. Muito além de simples companheiros domésticos, os animais
exercem funções relevantes no campo social, educacional, terapêutico e
assistencial. À luz da Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec, essa
relação ganha profundidade moral e espiritual, convidando-nos a refletir sobre
o papel dos animais como auxiliares do progresso humano e sobre a
responsabilidade ética que nos cabe diante deles.
Os animais nas atividades assistidas contemporâneas
Exemplos
como o de Messi, um cão da raça Golden Retriever envolvido em atividades
assistidas, ilustram práticas cada vez mais reconhecidas no mundo atual. Em
2025, programas de intervenções assistidas por animais são amplamente
utilizados em escolas, bibliotecas, hospitais, instituições de longa
permanência e centros de reabilitação, com resultados documentados nas áreas da
educação, saúde mental e inclusão social.
Em
ambientes educacionais, cães como Messi participam de sessões de leitura e
contação de histórias, favorecendo a atenção, reduzindo a ansiedade infantil e
estimulando a interação social. A presença do animal cria um clima afetivo que
facilita a aprendizagem, sobretudo para crianças com dificuldades emocionais ou
cognitivas.
Na
área da saúde, cães de visitação e de assistência contribuem para a diminuição
do estresse, da solidão e dos quadros depressivos em pacientes hospitalizados,
idosos institucionalizados e pessoas em situação de vulnerabilidade. Esses
efeitos positivos têm sido observados por equipes multiprofissionais,
reforçando a importância desses companheiros na promoção do bem-estar.
Cães-guia e cães de assistência: serviço e
abnegação
Entre
as formas mais conhecidas de auxílio animal estão os cães-guia, preparados para
orientar pessoas com deficiência visual. Eles desviam de obstáculos,
identificam faixas de segurança, param em cruzamentos e garantem mobilidade com
segurança e dignidade. Há também os cães de assistência destinados a pessoas
com limitações motoras, especialmente cadeirantes, auxiliando em tarefas
cotidianas como abrir portas, alcançar objetos ou acionar dispositivos.
Esses
animais passam por treinamento rigoroso e certificação, demonstrando não apenas
inteligência, mas disciplina, dedicação e profundo vínculo com seus tutelados.
A ciência reconhece essas capacidades, mas a Doutrina Espírita amplia a análise
ao considerar o princípio inteligente em evolução, aprendendo e cooperando com
o ser humano no processo de progresso coletivo.
A visão espírita sobre os animais
Segundo
O Livro dos Espíritos, o animal é animado por um princípio inteligente
distinto da alma humana, em processo evolutivo próprio (questões 597 a 600).
Embora não possuam consciência moral como o Espírito humano, os animais
manifestam sensibilidade, afeição e instintos que os tornam capazes de vínculos
profundos.
Na Revista
Espírita (1858–1869), encontram-se diversas reflexões sobre o papel dos
animais na Criação, ressaltando que nada foi feito sem finalidade. Eles
participam da harmonia universal, servem ao equilíbrio da natureza e auxiliam o
homem em suas necessidades materiais e morais. Emmanuel, na obra A Caminho
da Luz, reforça que a evolução é solidária, envolvendo todos os reinos da
natureza.
Reconhecer
o valor dos animais é, portanto, reconhecer a sabedoria das Leis Divinas, que
estabelecem interdependência entre todos os seres.
A fidelidade silenciosa e o dever humano
No
cotidiano urbano, cenas simples revelam essa fidelidade: cães que acompanham
trabalhadores em longas jornadas, sem coleiras, sem imposições, apenas por
lealdade. Dividem o cansaço, o alimento escasso e o descanso, demonstrando
companheirismo espontâneo.
Em
contraste, o abandono de animais permanece um grave problema social. Em
períodos de férias ou mudanças de rotina, muitos são deixados à própria sorte,
esquecidos após anos de convivência. À luz da Doutrina Espírita, tal atitude
revela negligência moral e desrespeito às Leis de Amor e Justiça, pois todo ser
que nos serve e confia em nós merece cuidado até o fim de sua existência.
Considerações finais
Os
animais são auxiliares silenciosos do progresso humano. Servem, acompanham,
protegem e consolam, muitas vezes sendo a única companhia de idosos, enfermos e
pessoas solitárias. Se nos oferecem carinho, lealdade e dedicação, cabe-nos
retribuir com respeito, responsabilidade e proteção, em todas as fases de suas
vidas.
Cuidar
dos animais não é apenas um dever social ou afetivo, mas um compromisso moral
coerente com a compreensão espírita da vida, da evolução e da fraternidade
universal.
Referências
- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos.
- KARDEC, Allan. Revista Espírita (1858–1869).
- EMMANUEL. A Caminho da Luz. Pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier.
- NOSSOS AUXILIARES, OS ANIMAIS. Momento Espírita. Disponível em: momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=6643&stat=0
- WISNESKI, Rafael. Você sabe o que são cães de ajuda social? Disponível em: meucaocompanheiro.com/blog/caes-de-ajuda-social/
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