sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

TRÊS ANOS E A MEDIDA DO NOSSO PROGRESSO ESPIRITUAL
- A Era do Espírito -

Introdução

Estima-se que o ministério público de Jesus tenha durado pouco menos de três anos, desde o encontro com João Batista às margens do Jordão até os momentos derradeiros da crucificação. Independentemente da precisão cronológica, a simbologia desse período é profundamente significativa: em um espaço relativamente curto de tempo, consolidou-se uma mensagem moral capaz de transformar consciências ao longo de dois milênios.

À luz da Doutrina Espírita — codificada por Allan Kardec sob orientação dos Espíritos superiores — esse fato convida a uma reflexão racional e necessária: o que temos feito com os nossos próprios “três anos”? Como estamos utilizando os ciclos de tempo que a Providência nos concede?

O Tempo como Instrumento de Progresso

A Doutrina Espírita ensina que o progresso é lei natural. Em O Livro dos Espíritos, aprendemos que o Espírito é criado simples e ignorante, destinado à perfeição relativa por meio de múltiplas existências corporais. O tempo, portanto, não é mero marcador cronológico: é instrumento educativo.

Se em menos de três anos o Cristo pôde formar discípulos, lançar fundamentos morais e semear princípios de amor e justiça, isso demonstra que a transformação não depende exclusivamente de longos períodos, mas da intensidade e qualidade do aproveitamento das oportunidades.

Cada giro da Terra em torno do Sol representa cerca de 365 novas ocasiões de aprendizado. Três anos somam aproximadamente mil e noventa e cinco dias. Mil e noventa e cinco oportunidades de reajuste moral.

Vidas Transformadas em Breve Espaço

Durante aquele período, Simão, o pescador da Galileia, foi chamado a tornar-se Pedro — símbolo de firmeza. Cometeu falhas, negou o Mestre por invigilância, mas reergueu-se. Tornou-se um dos pilares do movimento cristão nascente.

João, ainda jovem, conviveu de perto com o Cristo e amadureceu espiritualmente. Sua fidelidade aos pés da cruz revela a profundidade do vínculo estabelecido. Décadas depois, suas reflexões sobre o amor testemunhavam a permanência daquela influência transformadora.

Maria de Magdala, por sua vez, reformulou a própria existência. De alma atormentada, converteu-se em trabalhadora dedicada, símbolo de renovação moral.

Esses exemplos demonstram um princípio coerente com a Lei de Progresso: o contato com o bem, quando aceito conscientemente, acelera o desenvolvimento do Espírito.

A Atualidade do Exame de Consciência

Vivemos tempos de rápidas transformações sociais, tecnológicas e culturais. Em poucos anos, a humanidade presencia mudanças que antes exigiriam décadas. A comunicação instantânea aproxima povos, mas também amplia conflitos; o avanço científico salva vidas, mas desafia valores éticos.

Nesse contexto, o exame íntimo torna-se ainda mais necessário.

Perguntemo-nos, com serenidade:

  • Estamos mais pacientes do que há três anos?
  • Desenvolvemos maior capacidade de diálogo?
  • Tornamo-nos mais solidários em um mundo marcado por desigualdades?
  • Diminuímos o apego excessivo aos bens transitórios?
  • Substituímos o “eu” pelo “nós” em nossas decisões?
  • Oramos com mais consciência, ou apenas repetimos fórmulas?

A Doutrina Espírita não propõe culpa estéril, mas avaliação construtiva. Kardec, na Revista Espírita (1858–1869), frequentemente ressaltava a importância da observação e da análise criteriosa — método que deve igualmente ser aplicado à vida moral.

Sem avaliação, não há progresso consciente. Sem disciplina interior, as imperfeições se cristalizam.

Transformação Íntima e Saúde Espiritual

A melhoria moral não ocorre por impulso emocional passageiro, mas por transformação íntima contínua. Transformar é modificar a forma das nossas manifestações — pensamentos, sentimentos e atitudes — preservando a essência espiritual criada por Deus.

Quando deixamos de examinar nossas tendências inferiores, elas se fortalecem. Orgulho, egoísmo e indiferença podem se enraizar silenciosamente, comprometendo nossa saúde espiritual.

O Evangelho, entretanto, é roteiro seguro. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, aprendemos que “fora da caridade não há salvação”, expressão que sintetiza a necessidade do amor ativo como critério de evolução.

Evangelho e Alegria Interior

Há ainda um ponto decisivo: a alegria.

O progresso espiritual não se mede apenas por renúncias exteriores, mas pela serenidade íntima. O Evangelho vivido gera contentamento profundo, mesmo diante das provas.

Se, após três anos, estamos mais amargurados, mais intolerantes ou mais inquietos, algo precisa ser revisto. A verdadeira assimilação dos ensinos do Cristo produz equilíbrio e esperança.

Alegria espiritual não é ausência de dificuldades, mas confiança nas leis divinas e na finalidade educativa das experiências.

Conclusão

Menos de três anos foram suficientes para que o Cristo imprimisse novos rumos à história moral da humanidade. O tempo, quando bem aproveitado, torna-se força transformadora.

Também nós dispomos de ciclos semelhantes — anos que se sucedem, dias que se renovam. A questão essencial não é quanto tempo temos, mas como o utilizamos.

O exame periódico da própria consciência é disciplina indispensável ao progresso. Não para nos condenar, mas para identificar pontos de urgência e promover ajustes necessários.

Cada período de três anos pode ser apenas repetição automática da rotina… ou marco de autêntica renovação.

A escolha, segundo ensina a Doutrina Espírita, é sempre do Espírito.

Pensemos nisso.

Referências

  • O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.
  • O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec.
  • A Gênese – Allan Kardec.
  • Revista Espírita – Direção de Allan Kardec.
  • Opinião Espírita – Espíritos Emmanuel e André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.
  • Momento Espírita. Três anos... Disponível em momento.com.br.

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