Introdução
Há ensinamentos que atravessam os séculos porque não pertencem
exclusivamente a uma época.
Quando Jesus afirmou que “a seara é realmente grande, mas poucos os
ceifeiros”, segundo o Evangelho de Mateus, apresentou uma imagem simples
para expressar uma realidade humana profunda: existem muitas necessidades,
muitas oportunidades de trabalho e muito bem a realizar, mas nem sempre
encontramos pessoas dispostas a assumir, com perseverança, a responsabilidade
pelo serviço.
A imagem da seara permanece atual.
A humanidade alcançou extraordinário desenvolvimento científico e
tecnológico, ampliou o acesso à informação e criou meios de comunicação capazes
de aproximar pessoas em poucos segundos. Entretanto, informação não produz
automaticamente discernimento, assim como conhecimento não se converte
necessariamente em sabedoria.
Vivemos, portanto, uma situação curiosa: temos mais meios para
ensinar, mas isso não significa que estejamos necessariamente mais dispostos a
aprender; temos mais possibilidades de comunicação, mas isso não garante melhor
convivência; possuímos enorme quantidade de informação, mas ainda precisamos
aprender a utilizá-la em favor do bem.
É nesse cenário que a expressão “a messe é grande” adquire nova
dimensão.
A seara não está apenas nos espaços religiosos. Está no lar, na escola,
no trabalho, nas relações sociais, nas comunidades, na ciência, na educação,
nas redes digitais e em todos os lugares onde uma consciência humana encontra
outra.
E os operários?
São aqueles que se dispõem a colaborar.
Não necessariamente pessoas extraordinárias, dotadas de conhecimentos
incomuns ou ocupantes de posições de destaque, mas homens e mulheres capazes de
transformar aquilo que aprenderam em serviço.
Segundo a Doutrina Espírita, o verdadeiro progresso espiritual não se
mede apenas pelo conhecimento adquirido, mas pela transformação da conduta. A
questão 918 de O Livro dos Espíritos apresenta o homem de bem como
aquele que procura praticar a lei de justiça, amor e caridade e fazer o bem sem
esperar retribuição.
É nessa perspectiva que podemos compreender a verdadeira riqueza de
quem ensina.
PARTE 1
— A GRANDEZA DA MESSE E A OPORTUNIDADE DE SERVIR
1. Uma messe que se amplia diante de nós
Ao contemplar as necessidades da Humanidade, torna-se fácil compreender
a atualidade das palavras de Jesus:
“A seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros.” — Mateus,
9:37
A imagem da seara sugere um campo extenso, no qual há muito a fazer e
onde o trabalho não pode ficar restrito a poucos trabalhadores. No contexto do
ensinamento de Jesus, a expressão estava relacionada à tarefa de levar o
Evangelho às criaturas. Entretanto, sem desrespeitar seu sentido original,
podemos ampliar a reflexão e reconhecer que a grande messe humana compreende
também as múltiplas necessidades que acompanham o desenvolvimento da sociedade.
Há sofrimento a aliviar, ignorância a esclarecer, crianças a educar,
idosos a amparar, famílias a fortalecer, relações humanas a reconstruir e
conhecimentos a compartilhar. Há, ainda, os desafios relacionados à pobreza, à
desigualdade, à violência, à intolerância, à solidão e ao isolamento social.
A dimensão desse último problema foi destacada pela Organização Mundial
da Saúde. Em relatório publicado em 2025, a Comissão da OMS sobre Conexão
Social apontou que aproximadamente uma em cada seis pessoas no mundo
experimenta solidão, além de destacar os efeitos da desconexão social sobre
a saúde, o bem-estar e a vida comunitária. A organização também chama atenção
para o fato de que, embora as possibilidades tecnológicas de conexão sejam cada
vez maiores, muitas pessoas continuam experimentando isolamento e solidão.
Esses dados não constituem uma questão exclusivamente médica ou
psicológica. Revelam também uma necessidade humana fundamental: a
necessidade de convivência, de cuidado e de participação na vida do outro.
A tecnologia ampliou extraordinariamente nossa capacidade de
comunicação, mas comunicar-se não significa necessariamente relacionar-se.
Podemos estar próximos por meio de uma tela e, ao mesmo tempo, permanecer
distantes em nossos sentimentos, interesses e responsabilidades.
A grande messe, portanto, está diante de nós.
Ela não se encontra apenas nos templos, nas instituições religiosas ou
nos espaços destinados à assistência. Está nas escolas, nas famílias, nos
ambientes de trabalho, nas comunidades, nas relações sociais e, sobretudo, onde
quer que exista alguém necessitado de compreensão, conhecimento, solidariedade
ou amparo.
E isso nos conduz a uma questão fundamental: como participar dessa
grande tarefa?
2. O trabalho como instrumento de progresso
A Doutrina Espírita oferece uma perspectiva ampla sobre o trabalho.
Em O Livro dos Espíritos, à questão 674, encontramos:
“O trabalho é lei da natureza, por isso mesmo que constitui uma
necessidade...”
E, na questão seguinte, os Espíritos esclarecem que por trabalho não se
devem compreender apenas as ocupações materiais:
“Não; o Espírito trabalha, assim como o corpo. Toda ocupação útil é
trabalho.” — O Livro dos Espíritos, questões 674 e 675.
O conceito é particularmente significativo quando relacionado à grandeza
da messe.
Se toda ocupação útil pode constituir trabalho, a participação no
progresso humano não depende exclusivamente de determinadas profissões,
posições sociais ou funções reconhecidas. Há muitas maneiras de trabalhar pelo
bem.
Um professor trabalha quando transmite conhecimento, mas também quando
desperta no estudante o interesse por aprender. Um profissional da saúde
trabalha quando cuida do corpo e procura aliviar o sofrimento. Um pai ou uma
mãe trabalham na educação dos filhos. Um pesquisador trabalha ao ampliar o
conhecimento. Uma pessoa que dedica parte de seu tempo a ouvir alguém que sofre
também realiza uma ocupação útil.
Até mesmo aquele que compartilha uma experiência adquirida ao longo da
vida pode estar trabalhando em favor do próximo.
Desse modo, o trabalho ultrapassa a ideia de obrigação profissional. Ele
pode ser compreendido como instrumento de desenvolvimento das faculdades
humanas e de colaboração com o progresso coletivo.
A grandeza da messe, então, não deve nos levar à pergunta: “Que
grande obra eu poderia realizar?”
Talvez seja mais útil perguntar:
“Que trabalho útil está ao meu alcance realizar?”
Essa mudança de perspectiva é importante porque evita que o serviço ao
próximo seja associado apenas a grandes feitos. Muitas vezes, a oportunidade de
trabalhar pelo bem está justamente nas pequenas tarefas que se encontram ao
nosso alcance.
A questão passa, então, a ser outra: o que cada um possui para
oferecer?
3. Quem é, afinal, o operário?
Talvez seja necessário reconsiderar a ideia de que o operário da grande
messe seja apenas aquele que ocupa uma posição de destaque ou realiza uma
tarefa extraordinária.
Na realidade, a grandeza do trabalho pode estar menos na posição ocupada
pelo trabalhador do que na maneira como ele utiliza os recursos que possui.
É nesse ponto que a parábola dos talentos, narrada por Jesus em Mateus
25:14-30, oferece uma rica possibilidade de reflexão.
Na narrativa evangélica, um senhor confia diferentes quantidades de
talentos a três servidores antes de partir. Dois deles utilizam aquilo que
receberam e apresentam resultados; o terceiro, tomado pelo receio, conserva o
talento recebido sem fazê-lo frutificar.
No contexto original da parábola, o talento era uma unidade de valor.
Não seria adequado, portanto, afirmar que Jesus estivesse empregando a palavra
no sentido moderno de “habilidade pessoal”. Contudo, podemos utilizar a
narrativa como uma imagem para refletir sobre a responsabilidade que
acompanha aquilo que recebemos na existência.
Cada pessoa dispõe de recursos diferentes.
Uns possuem maior conhecimento; outros, experiência. Alguns dispõem de
tempo; outros, de recursos materiais. Há quem tenha facilidade para ensinar,
quem saiba cuidar, quem tenha capacidade de organizar, quem consiga consolar,
pesquisar, criar, orientar ou simplesmente estar presente quando alguém
precisa.
Essas possibilidades não tornam uma pessoa superior à outra. Apenas
revelam que os recursos humanos são variados e podem ser empregados de
diferentes maneiras em favor do bem.
Essa reflexão encontra importante correspondência com a questão 918 de O
Livro dos Espíritos, que apresenta como característica do verdadeiro homem
de bem a prática da justiça, do amor e da caridade, sem expectativa de
retribuição. E acrescenta uma consideração particularmente expressiva:
“Se Deus lhe outorgou o poder e a riqueza, considera essas coisas como
um depósito, de que lhe cumpre usar para o bem.”
A ideia de depósito é preciosa.
Aquilo que possuímos não precisa ser visto apenas como propriedade ou
vantagem pessoal. Pode representar também uma responsabilidade de utilização.
E isso pode ser aplicado, como reflexão, não somente ao poder e à
riqueza material mencionados na questão 918, mas também a outros recursos que a
existência nos proporciona: conhecimento, inteligência, experiência, tempo,
autoridade, capacidade profissional e possibilidades de auxílio.
Nesse sentido, a parábola dos talentos e a questão 918 podem
aproximar-se em uma mesma pergunta:
O que estamos fazendo com aquilo que recebemos?
Não se trata de medir pessoas pela quantidade de recursos que possuem.
Tampouco de estabelecer uma competição de méritos. A questão é mais simples e
mais profunda: cada um utiliza, na medida de suas possibilidades, aquilo que
recebeu para produzir algum bem?
Aquele que sabe pode ensinar.
Aquele que tem experiência pode orientar.
Aquele que possui recursos materiais pode utilizá-los para beneficiar
outras pessoas.
Aquele que dispõe de tempo pode oferecê-lo ao serviço.
Aquele que aprendeu com os próprios erros pode transformar a experiência
em auxílio para quem ainda está aprendendo.
E aquele que recebeu a oportunidade de ensinar pode descobrir que, ao
transmitir o que sabe, também amplia a própria compreensão.
É nesse ponto que a ideia de “riqueza de quem ensina” começa a
adquirir um significado mais amplo.
A verdadeira riqueza não está necessariamente naquilo que se acumula,
mas também naquilo que se consegue transformar em benefício para outros.
Ensinar é uma dessas formas de fazer frutificar os recursos recebidos.
Quem ensina compartilha conhecimento, mas também multiplica
possibilidades. Uma informação transmitida pode despertar outra descoberta; uma
experiência compartilhada pode evitar um sofrimento; uma orientação pode abrir
um caminho; uma ideia pode ser desenvolvida por outra pessoa e alcançar muitos
outros.
Assim, a grande messe não exige que todos realizem o mesmo trabalho.
Ela oferece múltiplas oportunidades de servir, de acordo com as
possibilidades de cada um.
Talvez seja esse um dos aspectos mais estimulantes da imagem apresentada
por Jesus: há muito trabalho a realizar, mas também existem inúmeras
possibilidades de participação.
A pergunta essencial não é, portanto, se recebemos muito ou pouco.
É o que fazemos com aquilo que recebemos.
E, quando aquilo que aprendemos, conquistamos ou recebemos é colocado a
serviço do bem, o recurso deixa de beneficiar apenas aquele que o possui e
passa a participar de uma obra maior.
A messe prospera quando os trabalhadores fazem frutificar os recursos
que estão ao seu alcance.
E, entre esses recursos, o conhecimento talvez seja um dos que mais
se multiplicam quando compartilhados.
É justamente aqui que começa a verdadeira riqueza de quem ensina.
PARTE II
— A RIQUEZA DE QUEM ENSINA
4. Ensinar é também aprender
Aqui encontramos uma das ideias centrais deste artigo.
Quem ensina também aprende.
E talvez essa seja uma das maiores riquezas do trabalhador da seara.
Quando alguém explica determinado assunto, precisa organizá-lo.
Quando procura orientar outra pessoa, é obrigado a refletir sobre aquilo
que pensa.
Quando tenta consolar alguém, descobre suas próprias limitações.
Quando ensina paciência, é chamado a exercitá-la.
Quando fala de caridade, encontra oportunidades para praticá-la.
Quando transmite uma ideia de fraternidade, precisa verificar se sua
própria conduta corresponde ao que ensina.
É por isso que ensinar pode ser uma experiência de transformação íntima.
Não porque aquele que ensina seja superior a quem aprende, mas
justamente porque ambos participam do mesmo processo.
O professor aprende com o aluno.
O pai aprende com o filho.
O terapeuta aprende com aquele que procura ajuda.
O dirigente aprende com aqueles que convivem com ele.
O divulgador aprende enquanto pesquisa.
E o trabalhador do bem aprende, muitas vezes, com aqueles a quem
imaginava estar ajudando.
A verdadeira riqueza está aí.
Não na quantidade de pessoas que nos escutam, mas naquilo que o serviço
produz em nós.
5. O perigo de ensinar sem viver
Existe, entretanto, um risco.
Podemos transformar o ensino em instrumento de valorização pessoal.
Nesse caso, a pessoa deixa de ensinar para servir e passa a ensinar para
ser admirada.
A mensagem torna-se secundária.
O mensageiro torna-se protagonista.
A Doutrina Espírita apresenta justamente o caminho contrário.
O progresso real é reconhecido pelos atos da vida, não simplesmente
pelas palavras. A questão 918 coloca a prática da lei de Deus como sinal do
progresso espiritual e ressalta que o homem de bem faz o bem sem esperar
retribuição.
Isso modifica profundamente a ideia de divulgação.
Não basta falar sobre caridade.
É necessário ser caridoso.
Não basta falar sobre tolerância.
É necessário tolerar.
Não basta ensinar humildade.
É necessário reconhecer os próprios limites.
Não basta falar sobre fraternidade.
É necessário aprender a conviver com pessoas que pensam de maneira
diferente.
A educação espiritual começa, portanto, naquele que educa.
6. A tecnologia aumentou a seara
A expressão de Jesus pode adquirir ainda outra atualidade quando
observamos o alcance proporcionado pelas novas tecnologias.
Uma mensagem pode hoje alcançar milhares de pessoas.
Um artigo pode ser lido em diferentes países.
Uma aula pode ser acompanhada à distância.
Uma pesquisa pode ser compartilhada em poucos minutos.
Isso amplia extraordinariamente a seara.
Mas também amplia a responsabilidade do trabalhador.
Quanto maior o alcance, maior a necessidade de prudência.
Informação sem critério pode produzir confusão.
Uma afirmação falsa, repetida milhares de vezes, não se transforma em
verdade pela quantidade de compartilhamentos.
Por isso, o trabalhador contemporâneo precisa aprender não apenas a
comunicar, mas a verificar, comparar, ponderar e reconhecer aquilo que ainda
não sabe.
Nesse aspecto, a tradição investigativa da Doutrina Espírita conserva
especial interesse.
O Espiritismo não se apresenta como convite à aceitação cega. A própria
estrutura da Codificação demonstra a preocupação com observação, comparação,
análise e exame racional das informações.
Essa atitude é especialmente valiosa em uma época na qual qualquer
pessoa pode tornar-se, em poucos minutos, produtora e disseminadora de
conteúdo.
A seara aumentou.
Consequentemente, aumentou também a responsabilidade dos ceifeiros.
7. A colheita nem sempre é imediata
Existe ainda uma dificuldade comum a quem trabalha pelo bem: esperar
resultados.
Plantamos hoje e queremos colher amanhã.
Ensinamos e esperamos mudança imediata.
Orientamos alguém e desejamos que a pessoa siga imediatamente aquilo que
recomendamos.
Mas o desenvolvimento humano possui seu próprio tempo.
Uma ideia pode permanecer silenciosa durante anos antes de produzir
consequências.
Uma palavra ouvida na infância pode ser compreendida somente na
maturidade.
Um exemplo aparentemente esquecido pode retornar à consciência quando
surge uma situação semelhante.
Por isso, o trabalhador não deve medir exclusivamente o resultado
externo de sua tarefa.
Seu compromisso é realizar bem aquilo que lhe compete.
A transformação do outro não está inteiramente sob seu controle.
Essa compreensão também protege contra o desânimo.
Quem trabalha pelo bem precisa evitar tanto a vaidade do sucesso quanto
a frustração do fracasso.
O verdadeiro serviço não depende de aplausos.
8. A Revista Espírita e o valor da prática
A Revista Espírita oferece diversos exemplos de como os
princípios espíritas eram observados não apenas como teoria, mas em suas
consequências para a vida social e moral.
Em 1860, por exemplo, ao comentar a experiência dos espíritas
trabalhadores de Lyon, a publicação destaca a influência das ideias espíritas
sobre a moral, a ordem e as relações humanas. Em 1861, ao tratar novamente dos
trabalhadores lioneses, são ressaltados seu zelo, devotamento, coragem e
capacidade de compartilhar mesmo quando possuíam poucos recursos.
Esses registros são interessantes porque mostram uma questão essencial: a
Doutrina não deveria ser avaliada apenas pelo que seus adeptos afirmam, mas
também pelos efeitos que produz em sua maneira de viver.
Isso permanece válido.
Conhecimento espiritual que não melhora a convivência corre o risco de
permanecer apenas intelectual.
Uma pessoa pode conhecer inúmeras páginas de uma obra espírita e
continuar dominada pelo orgulho.
Pode falar constantemente sobre caridade e permanecer indiferente às
necessidades alheias.
Pode conhecer profundamente os princípios da reencarnação e ainda assim
cultivar preconceitos.
O conhecimento é importante.
Mas sua finalidade é o progresso.
REFLEXÃO
FINAL
A messe continua grande.
Talvez hoje seja ainda maior.
Nunca tivemos tantos recursos para ensinar, comunicar, pesquisar e
compartilhar conhecimentos. Ao mesmo tempo, nunca foi tão evidente a
necessidade de desenvolver discernimento, responsabilidade, solidariedade e
capacidade de convivência.
Os operários, portanto, não são necessariamente poucos porque faltam
pessoas.
Podem ser poucos porque ainda são poucos aqueles que estão dispostos a servir
sem transformar o serviço em instrumento de vaidade.
A riqueza de quem ensina não está na quantidade de seguidores.
Não está nos títulos.
Não está nos aplausos.
Não está na capacidade de convencer os outros.
Está naquilo que o trabalho realiza dentro daquele que serve.
Quem ensina aprende.
Quem consola também se consola.
Quem ajuda também se transforma.
Quem semeia o bem também prepara o próprio terreno para a colheita.
A grande lição talvez seja esta: não precisamos esperar uma grande
tarefa para começar a trabalhar pela seara.
A oportunidade está próxima.
Está na família.
No trabalho.
Na convivência.
Na palavra.
No silêncio.
Na escuta.
No conhecimento compartilhado.
Na mão estendida.
Na disposição de aprender.
E, principalmente, na coragem de colocar em prática aquilo que já
compreendemos.
Jesus apresentou a imagem da seara há quase dois milênios.
A humanidade mudou profundamente desde então.
Mudaram os instrumentos, as sociedades, os conhecimentos e as formas de
comunicação.
Mas a necessidade essencial permanece.
Ainda há muito a semear.
E talvez a verdadeira pergunta não seja:
“Onde estão os trabalhadores?”
Mas:
“Que parte da seara está ao meu alcance cultivar?”
Quando cada um começa por essa pergunta, o trabalho deixa de ser uma
tarefa distante e passa a fazer parte da própria existência.
Então compreendemos que a maior riqueza de quem ensina não é aquilo que
consegue transmitir aos outros.
É aquilo que, enquanto ensina, aprende a transformar em si mesmo.
Referências
1. Obras Fundamentais da Codificação Espírita
- KARDEC,
Allan. O Livro dos Espíritos. Parte Terceira, capítulo III — Lei
do trabalho, especialmente questões 674 e seguintes.
- KARDEC,
Allan. O Livro dos Espíritos. Parte Terceira, capítulo XII — Da
perfeição moral, questão 918 — Caracteres do homem de bem.
- KARDEC,
Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Capítulo XV — “Fora da
caridade não há salvação”.
- KARDEC,
Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Capítulo XVII — “Sede
perfeitos”.
2. Obras complementares de Allan Kardec
- KARDEC,
Allan. O que é o Espiritismo — diálogo sobre os princípios
fundamentais e a natureza do Espiritismo.
3. Obras Complementares Históricas
- KARDEC,
Allan (dir.). Revista Espírita — Jornal de Estudos
Psicológicos. 1860, novembro — comentários sobre a influência das
ideias espíritas entre os trabalhadores de Lyon.
- KARDEC,
Allan (dir.). Revista Espírita — Jornal de Estudos
Psicológicos. 1861, setembro — correspondência sobre os espíritas de
Metz e os trabalhadores de Lyon.
4. Passagens bíblicas
- Mateus,
9:37–38 — “A seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros.”
- Lucas,
10:2 — passagem paralela sobre a grandeza da seara e a necessidade de
trabalhadores.
- João,
13:14–15 — Jesus apresenta o serviço ao próximo como exemplo a ser seguido.
- Mateus,
25: 14-30 — Parábola dos talentos.
5. Fontes Externas Utilizadas
- Organização
Mundial da Saúde (OMS). From loneliness to social connection:
charting a path to healthier societies — Report of the WHO Commission on
Social Connection. 2025. Relatório sobre isolamento social, solidão e
importância das conexões sociais.
- Organização
Mundial da Saúde (OMS). Reducing social isolation and
loneliness among older people. Dados e informações atuais sobre
isolamento social e solidão entre pessoas idosas.
- Organização
Mundial da Saúde (OMS). Global strategy and action plan on
ageing and health, seção sobre aprendizagem ao longo da vida e
envelhecimento saudável. Evidências sobre aprendizagem, participação
social e bem-estar na velhice.
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